CRIMES CIBERNÉTICOS E A EXTORSÃO

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 Cada vez é mais comum este tipo de crime: a extorsão por meio de informações hackeadas, como fotos e vídeos enviados por pessoas desprevenidas e tantos outros.

Alguns cibercriminosos são organizados, com estruturas e tecnologia de alta performance. Outros crimes são cometidos por hackers isolados.

Esse golpe continua a fazer vítimas, porém, em época de pandemia, ele se acentuou de forma preocupante. Em uma de suas modalidades, acontece o golpe da conversa “amorosa”, geralmente cometido por uma pessoa do outro lado do computador/celular, bonita, agradável e simpática.

Essa pessoa entra em contato pelo chat (Messenger/Facebook, Direct/Instagran ou outros meios) e ali começa uma conversa sem pretensões.

Após alguns dias ou horas de conversa, a coisa se “apimenta”, a pessoa do outro lado do aplicativo pede o número do WhatsApp, e por ali continuam a conversa, já bem descontraída, que logo toma rumos mais íntimos.

A pessoa inocente, até então geralmente reprimida ou carente, acaba se abrindo e se entregando aos prazeres da sedução.

Após algumas trocas de fotos, depois “nudes” (fotos íntimas), termina por enviar vídeos de intimidades. Pronto, o golpe foi um sucesso!

No dia seguinte, uma outra pessoa entra em contato, se dizendo pai, mãe, irmão ou tio daquela pessoa “inocente” que foi abusada virtualmente, alegando que ela é menor de idade, ou que tem problemas psicológicos, e que vai até a delegacia denunciar o crime de pedofilia (art. 241-A do Código Penal), ou estupro (sim, estupro pode ser praticado virtualmente) por chantagem ou ameaça a pessoa a satisfazer lascívia por videoconferência ou ato libidinoso diverso de conjunção carnal (art. 213), ou ato obsceno (art. 233), objeto obsceno (art. 234), favorecimento da prostituição (art. 228), dentre outros.

A ameaça (art. 147) também surge quando ameaçam divulgar os vídeos íntimos enviados pela vítima aos amigos do Facebook, Instagram, YouTube e familiares pela rede social.

Após o desespero e ameaças, a pessoa pede um valor $$ para que não faça a denúncia, a depender da conversa pede de 3 a 20 mil reais, e se não atendida a solicitação, a pessoa alega que irá até a delegacia de polícia denunciar.

No segundo momento, liga outra pessoa se passando por delegado ou advogado da parte, e continua com as ameaças, que nesta altura já sabe o nome e cidade da pessoa que está sendo vítima da extorsão, muitas vezes, pela própria rede social já sabe nome de filhos, marido/esposa, amigos próximos, e o crime se concretiza com a vítima desesperada, fazendo depósitos constantes aos criminosos, pois após ceder ao primeiro depósito, novos são solicitados, alegando despesas com psicólogos da pseudovítima, ou com tratamento hospitalar, dentre outros.

Outro dia recebi uma pessoa desesperada, que após relatar um caso parecido com esse, disse que a pessoa chegou a se cortar, e teve que depositar dinheiro para o pai da “vítima” para que pagasse as custas de hospital e internação.

Esse golpe, que mais parece uma cena de novela, é mais comum que possam imaginar, e em tempos de reclusão, pressão pelo confinamento, depressão, ou mesmo desespero pela atual situação do país, as pessoas se tornam mais suscetíveis a esse tipo de crime cibernético.

Neste caso, caberia também a denúncia de extorsão e chantagem dos criminosos, mas quem quer se expor e correr o risco deste fato se tornar público? Como enfrentar a família após o episódio vir à tona?

A dica é nunca se expor para pessoas desconhecidas, e tomar todo o cuidado com as informações que são expostas em suas redes sociais, como quem pode ver suas publicações, dados pessoais, relacionamentos, etc. O ideal é bloquear todas as informações e evitar conversas com pessoas desconhecidas.

Para essas e outras questões cibernéticas, procure sempre um advogado especialista para melhor orientação e proteção de sua dignidade e seu patrimônio.

 

 

Eduardo Mendes Queiroz – Advogado – Especialista em Tributos.

E-mail: advocaciaeduardoqueiroz@gmail.com


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