A3 UPA AMBULATÓRIO - Nova e moderna, a UPA Umuarama foi transforma em ambulatório ao invés de ofertar leitos

Com falta de leitos, paciente morre na fila de espera por internação

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A falta de planejamento da Secretaria de Saúde da administração Dilador Borges Damasceno, que recebeu quase R$ 10 milhões do governo federal para investir nas ações contra a covid, mas priorizou a compra de 16 carros com ar condicionado ao invés de investir na ampliação de leitos, levou ao colapso o sistema de atendimento em Araçatuba. Neste sábado uma pessoa morreu no pronto socorro municipal enquanto aguardava vaga na Santa Casa. Jane Márcia Pereira Porto tinha 45 anos de idade e não resistiu à gravidade do quadro. A responsabilidade do atendimento é do município.

As unidades básicas de saúde e o pronto-socorro são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde. A partir daí, é feita a regulação. Quando o atendimento requer alta complexidade (UTI no caso da covid), a central de regulação do estado entra em ação, encontrando a unidade hospitalar mais próxima com vaga. Por isso há pacientes de uma cidade em outra. Quando o atendimento é de média e baixa complexidade, o município faz a regulação.

No caso de Araçatuba, foram contratados junto à Santa Casa, que é um prestador de serviços, 95 leitos covid, sendo 70 de isolamento e 25 de UTI. A Santa Casa recebe pacientes de outras cidades, quando há vagas na UTI e de Araçatuba para isolamento. Para facilitar o fluxo, a Santa Casa criou uma unidade de suporte covid, com 13 leitos, que funciona junto ao pronto-socorro. O paciente chega, passa por exames e neste período é estabilizado. De acordo com o quadro, ele é liberado, vai para o isolamento ou UTI. Quando os pacientes estão aguardando no pronto-socorro municipal, é porque nem mesmo a unidade de suporte da Santa Casa tem vaga. Este paciente é responsabilidade do município.

 

PREPARAÇÃO

Em abril do ano passado, no início da pandemia, a Prefeitura informou que o prefeito Dilador Borges Damasceno pediu à Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba que o prédio do Hospital Municipal da Mulher (HMM) fosse preparado para dar suporte no atendimento de casos de covid-19.

“Diante disso, o hospital está recebendo adequações em sua estrutura, como reformas, pintura, instalações elétricas, bem como testes em equipamentos de saúde, rede de oxigênio e gerador de energia”, disse notícia postada no site da Prefeitura.

Na época, a secretária, Carmem Silvia Guariente, afirmou que o Hospital da Mulher seria um centro de apoio para a Santa Casa de Araçatuba.

“O Hospital da Mulher só vai ser aberto para atender esses casos assim que a Santa Casa esgotar sua capacidade de leitos. Estamos prevendo até 30 leitos para dar essa retaguarda”, explicou a secretária.

“Nesse momento tão difícil, de pandemia do coronavírus, prestamos nosso apoio à Santa Casa, preparando o Hospital da Mulher para receber casos de coronavírus que estejam em menor complexidade”, disse o prefeito na mesma reportagem postada pela Prefeitura.

No entanto, 11 meses depois, com a Santa Casa lotada e pacientes tendo de esperar a liberação de vagas e até morrendo na fila, o Hospital da Mulher ainda não entrou em operação para casos de covid.

Da mesma forma, a UPA Umuarama, que foi autorizada pela Ministério da Saúde a funcionar como UBS, poderia emergencialmente receber pacientes, como vem ocorrendo em outras cidades. No entanto, em Araçatuba nada foi feito neste sentido. A UPA funciona apenas com atendimento ambulatorial covid, a exemplo das tendas montadas em frente ao Pronto Socorro Municipal.

Nessa semana, diante de tantas mortes e superlotação da Santa Casa, a reportagem encaminhou questionamentos à Prefeitura.

01 – Por que a UPA Umuarama não pode ser transformada em Hospital e Campanha, mesmo após vários anos de conclusão?

02 – O que falta para que a unidade possa ter essa destinação?

03 – Não interessa ao município o Hospital de Campanha?

04 – Por que o Hospital da Mulher não pode ter leitos de UTI com respiradores?

05 – Há problema na rede de oxigênio do Hospital da Mulher?

 

As perguntas foram enviadas na quarta-feira (10) e não houve resposta.

 

EXPLICAÇÕES

Prefeito Dilador Borges Damasceno e a secretária Carmem Guariente precisam explicar à população porque gastaram dinheiro na reforma do Hospital da Mulher, como anunciaram e não está funcionando. Da mesma forma, qual a prioridade em comprar tantos carros, enquanto faltam insumos básicos, como remédios e pessoas estão morrendo.

 

 

 

Após longa espera, paciente morre no pronto-socorro

 

Na manhã desse sábado, Jane Márcia Pereira Porto, 45 anos, morreu no pronto-socorro municipal de Araçatuba à espera de leito hospitalar. A mulher estava com suspeita de covid-19 e apresentava problemas respiratórios.

A reportagem apurou que a paciente estava na UBS Covid, no Umuarama, para fazer exame, na quinta-feira, quando passou mal. Jane foi levada para o pronto-socorro municipal, onde ficou aguardando vaga na Santa Casa.

A morte da dona de casa deixa evidente o grave problema existente em Araçatuba. Mesmo com a segunda onda da covid sendo falada desde outubro, não houve o adequado planejamento para enfrentar a crise mais aguda da doença.

 

PRIORIDADE – Município não investiu na ampliação de leitos para enfrentar a crise

 

 


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