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Araçatuba
quinta-feira, maio 19, 2022

Carne bovina segue valorizada e preços para o consumidor disparam

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A carne bovina continua sendo um dos itens que mais tem pesado no bolso do consumidor araçatubenses na hora de fazer as compras. Com preços que não param de subir, o produto tem virado artigo de luxo para boa parte das famílias.

Um dos grandes motivos para a alta no preço está na valorização da arroba do boi gordo. O valor em Araçatuba é um dos mais caros do país e foi estimado na última sexta-feira (11) pela Scot Consultoria em R$ 335. 

Com isso, a venda para mercados externos segue mais vantajosa para produtores agropecuários e a escassez do produto no mercado interno vem causando a valorização nas gôndolas dos açougues, supermercados e casas de carnes de Araçatuba e região.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL fez uma rápida pesquisa, neste sábado (12), em um estabelecimento comercial da cidade que faz a comercialização de carne bovina. Em relação a preços praticados em setembro do ano passado, a valorização chegou a até 25% em alguns cortes mais consumidores.

O quilo da costela rojão, por exemplo, a parte mais grossa da costela, bastante utilizada para churrasco e para cozidos, em setembro estava custando R$ 19,98 o quilo. Neste sábado, o mesmo produto estava sendo comercializado a R$ 24,98. Uma valorização de 5 reais, ou de 25% no preço.

Já o quilo do acém bovino, carne de segunda escolhida por muitos consumidores e utilizada para refogados e cozidos, tinha o seu preço em R$ 26,98 em setembro do ano passado e ontem era encontrado a R$ 32,98. Seis reais mais caro em seis meses, uma valorização média de um real por mês, ou de 22% no período. 

Arroba do Boi

Após uma queda no final do ano passado, principalmente por causa do embargo à carne brasileira no mercado chinês, os preços da arroba do boi voltaram a subir, fazendo diminuir a expectativa por possível baixa nos valores da carne bovina para o consumidor.

Em outubro do ano passado, por exemplo, o valor da arroba do boi chegou a ficar na faixa entre R$ 250 e R$ 260. Ainda sim, a carne bovina não chegou a ter queda significativa de preços nos açougues e supermercados.

Atualmente, com os valores em R$ 335 e com previsão de possíveis novas altas, o consumidor tende a sofrer um pouco mais no momento de fazer as compras. 

Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL no ano passado, o pecuarista Jorge Resek Neto, explicou que a maior procura pelo animal vivo no mercado externo vem desequilibrando a dinâmica interna da criação de gado, o que impacta nos preços maiores para os frigoríficos.

“(A exportação de) animal vivo acho que devia ser contida pelo Ministério da Agricultura, porque altera toda a dinâmica interna, você não tem o bezerro você tem que pagar caro no garrote, aí você pagando caro no garrote você não consegue soltar o seu boi, você fica fazendo cálculo até dar uma margem de lucro né. Então tem menos bois acessíveis ao frigorífico e com isso ele tem que subir o preço”, explicou. “Se não tivesse essa exportação do animal vivo e sim só a do animal abatido, seria mais interessante porque esse gado vivo estaria aqui. Alguém estaria vendendo e alguém estaria comprando. Então o mercado de reposição estaria em equilíbrio que hoje não está”, opinou.

 

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