SALGADO - Preço da carne bovina segue alto para o consumidor

Carne bovina segue mais cara para o consumidor em Araçatuba mesmo com queda na arroba do boi

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

O bloqueio das exportações de carne bovina, que já dura 50 dias, fez despencar o preço da arroba do boi gordo no Brasil. Na região de Araçatuba, por exemplo, o valor que chegou a mais de R$ 300 neste ano, estava em R$ 260 neste sábado, de acordo com dados da Scot Consultoria.
O consumidor final, porém, aguarda essa queda chegar até os açougues e supermercados, o que ainda não aconteceu. Pesquisa feita pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, observou que os preços da carne bovina seguem altos nas gôndolas dos supermercados e estabelecimentos do tipo da cidade.
Alguns cortes da carne, como o coxão mole, apresentam pouco mais de 15% de aumento entre o começo do ano e este final do mês de outubro. No mesmo estabelecimento, o valor do quilo do coxão mole era vendido a R$ 31,98 em janeiro deste ano, enquanto neste sábado (23), o preço estava em R$ 36,98. Em janeiro, a arroba do boi era vendida a mais de R$ 300 e agora está a R$ 260.
O acém bovino, considerado uma carne de segunda, mais procurada por ter preços mais em conta, estava custando em janeiro, neste estabelecimento pesquisado, R$ 24,98, enquanto o preço neste sábado era de R$ 26,98, uma valorização de 8%.
A reportagem consultou um pecuarista para saber o motivo de, mesmo com quase dois meses de embargo da carne brasileira na China, o consumidor ainda não estar conseguindo sentir esta mudança de mercado no bolso.
De acordo com o fazendeiro Thomaz Neves Rocco, que possui criação de gado em Araçatuba e Guararapes, os produtos que estão atualmente à venda em supermercados e açougues foram comprados pelos frigoríficos e revendidos antes do final de agosto, quando houve esta mudança no mercado internacional.
“São dois mercados, o primeiro é o que exporta boi pra China, por causa da vaca louca suspendeu exportação no começo de setembro, o mercado vem recuando. O que o cara está comprando no mercado são animais que foram pra linha de abate um bom tempo atrás, então ainda estão com o preço anterior, mais alto”, explicou Rocco.
Ele projeta que, caso o embargo continue nas próximas semanas, o consumidor pode começar a sentir a diferença de preço nos estabelecimentos no começo do mês de novembro. Segundo ele, por causa da baixa nas exportações devido ao problema com a China, deve haver aumento na oferta do boi no mercado interno, o que pode provocar a queda.
“Pode ser que agora com o final do ano, você tenha mais oferta de carne no mercado interno, o cara pode conseguir comprar a carne no mercado mais em conta”, explicou.
O pecuarista, porém, acredita que as exportações para a China devem retornar em breve, embora não haja nada concreto sobre isso.
“Caso libere o mercado a tendência é o preço voltar a se regular e a arroba do boi subir novamente”, explicou.

Prejuízo
Se por um lado há expectativa de queda nos preços para o consumidor, por outro, pecuaristas estão preocupados com o futuro de seus negócios. Segundo Thomaz Rocco, ele já havia vendido a produção antes do embargo em agosto e tem marcada a próxima venda para o exterior em janeiro, quando ele espera que a situação já tenha se resolvido.
“Coincidimos de ter vendido o gado antes da baixa do mercado, os nossos próximos animais vão para janeiro do ano que vem e esperar a coisa dar uma ajustada”, contou.
Ele afirma, porém, que a alta nos insumos como milho, soja, farelo, fez com que a ração do gado aumentasse, e com isso, alguns produtores estão gastando até R$ 300 para a produção de uma arroba de boi gordo, o que está causando prejuízo para os negócios.
“Tem colegas nossos ou apenas empatando ou até mesmo trabalhando no negativo, porque a arroba do boi foi a única coisa que caiu no mercado, todo o restante segue alto, então os pecuaristas não estão sendo remunerados suficiente pelo trabalho que estão tendo e pelo investimento, o mercado está muito ruim para nós”, completou.

Paralisação
As exportações de carne bovina para a China foram suspensas no dia 4 de setembro em respeito a um protocolo firmado entre os dois países, que determina a paralisação em caso de doença Encefalopatia Espongiforme Bovina, conhecida popularmente como vaca louca.
A vaca louca é uma doença fatal e geralmente acomete os bovinos que possuem idade mais avançada, provocando uma degeneração do sistema nervoso. Com a doença, o animal que era de fácil manejo, torna-se agressivo, de onde deriva o apelido popular dado à enfermidade.
O Brasil confirmou que houve dois casos desta patologia nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, porém, segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos não causam risco ao rebanho.
Com isso, houve queda nas exportações de carne bovina em todo o país em outubro. Até a terceira semana deste mês, o Brasil vendeu 4,5 toneladas de carne na média diária, e no ano passado, neste mesmo período, havia vendido 8,1 toneladas, quase o dobro.

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