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Birigui abre novas frentes para superar crise e gerar postos de trabalho

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ARNON GOMES – BIRIGUI

Aquela que, na década passada, chegou a ser uma terra de oportunidades na região por causa de suas fábricas de calçados infantis, vê-se, no atual momento, em uma fase de reinvenção na economia. Enquanto os efeitos da recessão dos últimos anos são sentidos no polo calçadista de Birigui, com demissões em níveis elevados, surgem oportunidades de empresas líderes em seus segmentos, diversificando, assim, a atividade econômica no município.
Os dados do último Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, mostraram que a cidade foi, de longe, a “campeã” no número de cortes de empregos com carteira assinada em junho da região. O saldo foi -649 vagas. O segundo maior índice foi de Andradina, com -69, bem atrás.
Empresários do setor e economistas são unânimes ao atribuírem este cenário, em geral, à crise na indústria, e, em particular, a calçadista. Ainda no mês passado, a indústria de calçados fechou, em todo o Estado de São Paulo, 916 postos de trabalho formais. No últimos dois meses, foram 5.068.
O momento ruim daquele que é considerado o principal carro-chefe de sua economia, por outro lado, não freou uma vocação típica do biriguiense: o empreendedorismo. Além de a cidade, entre janeiro e junho, ter aberto 223 vagas de emprego no setor de serviços, que engloba subsetores como beleza, saúde, gastronomia e educação, o poder público indústrias de diferentes ramos anunciaram recentemente a aberturas de vagas de trabalho.
Trata-se de um leque com pelo menos 805 oportunidades. De acordo com a Sedeciti (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), uma indústria de estofados em fase de instalação está com 120 vagas abertas – costureira (50), tapaceiros (50) e marceneiros (20).
A mesma secretaria informou, nos últimos dias, que, em breve, o Grupo Votorantim irá inaugurar um CD (Centro de Distribuição) em uma área de oito mil metros quadrados junto à Rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Birigui. A expectativa é de que sejam gerados em torno de 40 novos empregos.
A semana que passou trouxe novas expectativas de reaquecimento no mercado de trabalho local. A Prefeitura anunciou a abertura de concurso público destinado ao preenchimento de 145 vagas, 50 delas só para monitor de creche. As inscrições podem ser feitas a partir da próxima quarta-feira.
Ao falar sobre a seleção aberta, o prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) a atribuiu à necessidade de preencher novas demandas existentes na administração pública e vagas deixadas por servidores que se aposentaram. Porém, destacou que é uma ótima oportunidade para a população em um momento como o atual.
Já no final da semana, o poder público municipal e a construtora Lomy Engenharia, de Araçatuba, anunciaram a expansão de uma parceria no setor habitacional que prevê a construção de mais de 800 moradias ao custo de R$ 150 milhões. Na obra, deverão ser empregadas até 500 pessoas.

 

História local mostra capacidade de superação de momentos difíceis

Autor de livro lançado em 2008 que conta a trajetória de meio século da indústria de calçado em Birigui, o economista Marco Aurélio Barbosa avalia que a história econômica local evidencia uma capacidade de superação. Fenômeno semelhante ao atual, diz ele, foi perceptível na década de 1990, com as crises vividas durante o Plano Collor e o começo do Plano Real. Em 1995, por exemplo, quase cinco mil trabalhadores perderam seus empregos.
“Mas as crises trazem aprendizados. Elas aceleram a modernização, a inovação e a melhoria na competitividade. E a indústria que sobreviveu, criou resistência, adaptou-se à nova realidade e ingressou em novo ciclo de crescimento”, analisa. “De lá para cá, a cidade fortaleceu outros eixos de desenvolvimento econômico. Novos segmentos industriais ganharam relevância”, diz Barbosa, ressaltando o investimento na construção civil como consequência da expansão demográfica.
Segundo a Secretaria Municipal de Finanças, somente entre janeiro e maio do ano passado, foram abertas 458 empresas de prestação de serviços na cidade, ante 236 no setor comercial e 78, no industrial.
Diretor de desenvolvimento industrial da Prefeitura, o economista diz que o poder público tem atuado no sentido de diversificar a estrutura produtiva e a matriz econômica local. “Por isso, ao passo em que se fecha uma empresa, outras surgem com potencial de crescimento”, observa. Ele destaca, como uma das ações e projetos postos em prática pelo atual governo, a distribuição de terrenos nos distritos industriais. “No caso do Distrito 2, sua ocupação e instalação de empresas ocorrerá ao longo dos próximos meses”, destaca. Essa região – onde estão bairros populosos, como Portal da Pérola 1 e 2, Residencial Acapulco, Residencial Candeias e Recanto Verde – será, ao longo do tempo, beneficiada com o parque industrial que favorece a descentralização do desenvolvimento da cidade. “Isso atrairá empresas do ramo industrial para locais onde há mão de obra, facilitando, portanto, a proximidade do trabalho e da moradia”, finaliza o economista.

 


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