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Araçatuba se despede de sua primeira mulher

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Desde a virada de sábado para domingo, a via que homenageia um dos maiores expoentes da pecuária em Araçatuba está órfã de sua moradora mais ilustre. Perto de completar 104 anos de idade, 50 deles vividos em uma casa na Rua Torres Homem, dona Regina Pavan Pereira partiu. E, com ela, um pedaço da história da cidade.
A senhora era considerada a primeira mulher nascida no município, condição atestada em cartório e valorizada de forma oficial. Há exatos 20 anos, ela recebeu, da Câmara Municipal, Diploma de Honra ao Mérito, em reconhecimento à sua longevidade. Ao tomarem conhecimento de sua morte, ocorrida à 0h20 de domingo, de causas naturais, várias foram as homenagens de amigos e familiares. Afinal, dedicou a maior parte de sua vida a ajudar o próximo.
SOCIAL
Dona Regina ficou conhecida pela liderança exercida na Entidade de Assistência e Promoção Social Lareira, sempre de forma voluntária, contribuindo com doações aos mais necessitados de sua terra natal. Pela atuação naquela instituição, ficou seu maior legado. “Teve uma vida dedicada ao voluntariado. Lá, organizou inúmeras atividades assistenciais”, conta seu único filho, o professor universitário Paulo César Xavier Pereira, de 71 anos.
Lembrada por sua coragem, bom humor e esperança, ela nasceu em 19 de outubro de 1915 na própria casa de sua família, à época localizada na Rua Duque de Caxias, região central. Era a segunda filha dos imigrantes italianos Antonio e Rosa Pavan. Relembra Paulo César que a fama de “primeira menina de Araçatuba” se deu a partir de 1998, quando um jornalista, ao fazer uma pesquisa nos cartórios de Araçatuba, Birigui e Penápolis, chegou à conclusão que Dona Regina foi a pioneira entre as pessoas do sexo feminino. Dessa forma, no ano seguinte, veio a congratulação recebida do legislativo municipal.
VALORIZAÇÃO
A idosa valorizava a própria história. A sala de sua residência é cercada de fotos, diplomas recebidos e recortes de matérias de jornais que falavam de seu trabalho. Aliás, atividade social a acompanhou até a longevidade. Nos anos que se seguiram à morte de seu marido, Olávio Xavier Pereira, em 1997, Dona Regina dividia o tempo entre os afazeres domésticos e a realização de obras sociais. Nas horas vagas, bordava guardanapos. Aos 97 anos, relembra o filho, passou a viver acompanhada de cuidadores e os cuidados médicos ficaram mais intensos.
Foi ao lado do esposo que ela deu outra importante contribuição para Araçatuba. Com ele, criou a primeira tinturaria de Araçatuba – no espaço, anos depois, passou a funcionar a antiga Padaria Viena, hoje inativa. “Desse serviço pioneiro, tiraram o nosso sustento e deu a minha formação”, relembra Paulo César, que está na USP (Universidade de São Paulo) há 51 anos, considerando o tempo de universitário e, posteriormente, professor.
Com a certeza de que sua mãe viveu mais de um século “muito bem vivido”, Paulo César afirma, agora, que vai reivindicar um novo título para a sua mãe: o da pessoa que mais viveu em Araçatuba. “Ela nunca saiu da cidade”, afirma. “Tinha um orgulho de ser araçatubense, de ter contribuído, de ver o progresso e, assim, a cidade crescer.”
O corpo de Dona Regina foi sepultado no Cemitério da Saudade, no final da tarde de domingo.

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