Diego Fernandes – Araçatuba
A Agência Nacional de Aviação Civil fechou os dados de 2023 referentes ao movimento de passageiros e cargas no aeroporto Dario Guarita, de Araçatuba. Foram mais de 93 mil passageiros transportados, mais de 1.640 aeronaves que pousaram e decolaram no local e mais de 103 mil kg de cargas transportadas.
Os dados foram compilados pela plataforma Observatório Econômico e divulgados com exclusividade para o jornal O LIBERAL.
Os números representaram uma queda nas operações em relação aos dados de 2022.
Foram ao todo 93.222 passageiros que embarcaram e desembarcaram no aeroporto araçatubense, que atende as regiões de Araçatuba, Andradina e também o leste do Mato Grosso do Sul. Houve uma queda 6,99% na movimentação em relação ao ano anterior, quando 100.223 pessoas foram transportadas e passaram pelo aeroporto araçatubense.
Enquanto no ano passado, a média de passageiros transportados por mês ficou em 7.769, no ano anterior havia sido de 8.352 pessoas.
Em 2023, houve crescimento no número de pessoas transportadas apenas nos quatro primeiros meses do ano, tendo queda a partir de maio em todos os meses até dezembro.
O maior aumento no ano passado foi registrado em janeiro, quando houve 9.457 passageiros no ano passado, e 5.704 no ano anterior, uma variação positiva de 65,7%.
Mas nos meses de queda, junho foi o que registrou a maior baixa no número de passageiros, com apenas 5.512 pessoas em 2023, sendo que em 2022 haviam sido 8.476, uma variação negativa de 34,9%.
Para o economista araçatubense Marco Aurélio Barbosa de Souza, a queda de passageiros é um reflexo do aumento das passagens aéreas.
“É um reflexo do aumento que nós tivemos no preço das passagens aéreas, que ultrapassou o valor percentual de 47%, muito mais elevado do que o aumento ocorrido em 2022, que foi de 24%. Então esse aumento no preço da passagem aérea encareceu o custo do transporte, as viagens, reduzindo a demanda”, explicou o economista.
Aeronaves
A maior queda, porém, aconteceu no número de aeronaves operando no aeroporto Dario Guarita. Foram 1.641 aviões que pousaram e decolaram no ano passado. Em 2022, 2.130 aeronaves haviam passado pelo local. A queda foi de 22,96%, segundo a ANAC.
A lógica foi a mesma em relação ao número de passageiros. Houve alta nas operações no primeiro quadrimestre do ano, entre janeiro e abril, e logo depois, foram registradas quedas em todos os meses seguintes até o final do ano.
Em junho, por exemplo, apenas metade do número de aeronaves operou na cidade, sendo 96 no ano passado 192 em 2022.
Para Marco Aurélio, o ponto positivo é a maior lotação das aeronaves que operaram no ano passado em Araçatuba.
“Essa queda evidencia que as aeronaves que decolaram e pousaram em Araçatuba no ano passado estavam com uma lotação maior, o que é importante também do ponto de vista da lucratividade e custo operacional das empresas”, afirmou.
A média do ano passado foi de 56,8 passageiros por aeronave, sendo que no ano anterior foi de 47,05 pessoas por transporte aéreo.
O aumento da média também ocorreu pelo fato de que, em 2023, a partir de julho, passou a operar em Araçatuba o Boeing 737-800, da GOL Linhas Aéreas, que tem capacidade para 186 passageiros. Até então, apenas o ATR-72-600 operava na cidade, carregando até 74 passageiros.
Cargas
No mês passado, o jornal O LIBERAL informou o crescimento no transporte de cargas entre janeiro e outubro. Mas, no recorte do ano inteiro, até dezembro, houve uma queda de 5,03%.
Em 2023, foram 103.747 kg de cargas transportadas, sendo que em 2022 haviam sido 109.293 kg.
Nenhum dos meses do último bimestre passou de 10 mil kg de cargas transportadas, o que havia acontecido em novembro e dezembro de 2022, puxando para baixo o resultado final.
Projeção
O economista Marco Aurélio Barbosa de Souza projeta que neste ano haja aumento novamente no número de passageiros no aeroporto.
“Acredito que esse ano a movimentação deve aumentar, deve novamente ultrapassar 100 mil passageiros transportados no aeroporto regional, o que será importante para o fomento da nossa economia. Isso deve acontecer por conta do turismo de negócios, do turismo comum e também de oportunidades para a região”, projetou.

