A solução está nas escrituras

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GUSTAVO CARNEIRO ARIANO

Em 05 de março de 2021 escrevi nesta coluna o artigo intitulado “Faltou luz, mas era dia” alertando sobre o que a cúpula do ministério da saúde chamava de “tempestade perfeita” – taxa de 3000 mortes/dia no mês de março de 2021 no Brasil. Escrevo agora, no dia 31 de março, e nas últimas 24 horas mais de 3,6 mil pessoas morreram. Pois é, a tempestade veio mesmo e ainda está longe de passar. Mas o que fazer, ou melhor, o que deveríamos ter feito?

Os governos existem para tomar decisões de escala, justamente porque a complexa e dinâmica sociedade moderna demanda estratégia. Nos meus estudos de quarentena lendo o Guia PMBOK 6ª Edição do PMI – que traz o estado da arte do gerenciamento de projetos em todo o mundo – um dos exemplos de projetos listados pelo guia é o desenvolvimento de uma vacina contra poliomielite.

O guia existe há algumas décadas e traz conceitos pacificados mundialmente de como gerenciar, por exemplo, a fabricação de vacinas ou a construção de um de foguete, enfim, qualquer projeto. Nele são listados os aspectos a serem gerenciados, quais são: integração, escopo, cronograma, custos, qualidade, recursos, comunicações, riscos, aquisições e as partes interessadas.

Traz ainda o conceito de programa, definido como uma série de projetos integrados que reunidos geram um 06eterminado resultado. Desta forma, o programa de imunização da população pode ser um conjunto de projetos, tais como: produção de vacinas, logística de distribuição e vacinação, cadastramento e agendamento de grupos prioritários, etc. Para cada projeto, buscar gerenciar a integração, escopo, cronograma, custos, qualidade, …

Um portfólio, segundo o guia, seria um conjunto de programas. Desta forma, no portfólio de enfrentamento da pandemia causada pelo covid-19, ter-se-ia: o programa de imunizações (já explicado), programa de suporte hospitalar, programa de auxílio emergencial pessoa física, programa de auxílio pessoas jurídicas, e assim por diante. Está tudo lá, no Guia PMBOK 6ª edição do PMI, guia este que é seguido pelo mundo todo. Existem no Brasil grandes especialistas em gerenciamento de projetos, um deles é Andradinense: Mario Henrique Trentim. Temos, portanto, pessoas capacitadas para fazer melhor do que estamos fazendo. O mais revoltante é que aplicamos tais conceitos com bastante sucesso no agronegócio, por exemplo. Não somos leigos, pelo contrário, exportamos profissionais nessa área para todo o mundo.

Se eu fosse presidente, governador ou prefeito, contrataria um especialista em gerenciamento de projeto – certificado pelo PMI – e construiria toda a estratégia, não poupando esforços para garantir o sucesso de cada projeto. Colocaria o guia PMBOK debaixo do braço em substituição da Bíblia. Esta última faria a leitura sozinho ao final de um dia produtivo de gerenciamento dos projetos e programas do meu portfólio, para agradecer e pedir inspiração ante a maior crise sanitária da história do Brasil.

 

Gustavo Carneiro Ariano, Graduado em Engenharia Sanitária pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Mestre em Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC/USP), Especialista em Regulação e Fiscalização de Serviços de Saneamento Básico na Agência Reguladora do Estado de São Paulo (Arsesp).


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