A MULHER DE CESAR NÃO BASTA SER HONESTA, DEVE PARECER HONESTA

EVANDRO EVERSON

Amainar o meu espírito irrequieto ás vezes é uma tarefa inglória, o insucesso é dado como certo, foi o que aconteceu ao ler o artigo AFINAL, AS OFFSHORES SÃO ILEGAIS? O artigo foi publicado no último dia 08, na coluna Ponto de Vista, deste importante periódico, Jornal O Liberal. Nele o articulista discorre quanto á legalidade jurídica do sistema financeiro offshore, relativizando questões éticas e morais quando importantes autoridades do sistema econômico e monetário recorrem a tal instituto.
É o caso do Ministro da Economia, Paulo Guedes e do Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Apesar da legalidade de abertura de empresas offshore, prática recorrente por um seleto grupo de bilionários brasileiros e estrangeiros, o desconforto e questionamento suscitado é quanto o acesso a informações privilegiadas que estas autoridades têm. O desconforto aumenta quando eles podem interferir ou mudar o rumo da política cambial e fiscal do país. As vãs tentativas de explicação do Ministro da Economia, do Presidente do Banco Central e do articulista me fez chegar ao título deste artigo.
Para quem conhece o ocorrido com a mulher do Imperador, em certa ocasião, ele deixa cristalino: não basta a honestidade “minha esposa não deve estar nem sob suspeita”. Esta frase deu origem a um provérbio, “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Segundo agentes financeiros o sistema offshore oferece mais privacidade do que outras modalidades, que muitas vezes é utilizada para proteger bens de impostos (baixos ou inexistentes), de ações civis, de credores e de investigadores e, em alguns casos dificultando a identificação dos detentores dos ativos, apenas usando iniciais ou termo “proprietário beneficiário”.
Sem contar que em offshore há possibilidade de desviar dinheiro dos tesouros do governo e proteger criminosos. Mesmo não havendo dolo, porque uma autoridade recorre a expediente envolto em nuvens carregadas de “um grande preconceito”? Documentos que fazem parte da Pandora Papers, investigação sobre paraísos fiscais, constatou que em 2015, Paulo Guedes, sua esposa e filha, acionistas de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas tinha US$ 9,5 milhões, aproximadamente R$ 51 milhões em valores atuais.
Em sua gestão como Ministro da Economia, o valor do dólar explodiu, o que pode ter gerado ganhos de R$ 14 milhões a sua empresa familiar, conforme citado em reportagem da Revista Piauí. Note caro (a) leitor (a), que nem entramos no mérito do evidente conflito de interesses. Por fim, para reflexão, corromper princípios éticos e morais é o caminho mais curto para deslegitimar autoridades e desacreditar qualquer sociedade organizada. E, é exatamente isto o que não queremos em tempos tão conturbados como hoje.
Evandro Everson dos Santos é policial militar aposentado e economista

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