*Marcelo Teixeira
Tem sido pauta recorrente nas rodas de conversa. O tema é atual, interessante e chega a dar medo a forma irreversível avassaladora com que as empresas e empreendedores utilizam a solução. Entre os principais receios relacionados ao uso da inteligência artificial (IA) está a extinção de profissões. O site do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União informa que o especialista André Cia perguntou à própria IA quais setores ela poderá afetar em cinco anos. Foram listadas nada menos que 80 profissões que podem deixar de existir em até cinco anos. Há casos de funções que já não têm mais razão de existir, como tradutor, redtaor e revisor de textos. analista de dados. Outras têm prazo de seis meses a um ano, como analista de dados, atendente de telemarketing e jornalista. A data final de dois anos atingirá designer gráfico, assistente jurídico e assistente financeiro. E de até 69 meses, médicos de diagnósticos, farmacêutico, corretor de imoveis, contador, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, educador físico, biólogo e engenheiros.
Para além da IA para a geração de textos, vale lembrar que existem diversos tipos de aplicações, como sistemas de reconhecimento de imagens, de recomendação de produtos, serviços ou conteúdos, de visão computacional, de processamento de linguagem natural (NLP), de aprendizado de máquina etc. Esses são apenas alguns exemplos dos diferentes tipos de IA que existem atualmente. A inteligência artificial abrange uma ampla gama de aplicações e continua a evoluir rapidamente, com novas tecnologias sendo desenvolvidas a todo momento.
O que me pergunto é se a IA também vai substituir – e em quanto tempo – o escritor de obras fictícias e os poetas, pois é fato que a inteligência artificial tem mostrado avanços significativos em áreas como processamento de linguagem natural e geração de texto. Embora seja possível que a IA seja capaz de produzir escritos de qualidade em algum momento no futuro, substituir completamente o escritor ou o poeta na criação de livros de ficção ou poesia ainda é um desafio.
A escrita criativa envolve não apenas a habilidade de gerar texto, mas também o aspecto humano da expressão artística, a capacidade de transmitir emoções, criar personagens complexos, desenvolver enredos cativantes e explorar temas profundos. Esses elementos estão enraizados na experiência humana, nas nuances da cultura e na complexidade das emoções. E, embora a IA tenha demonstrado habilidades em gerar conteúdos coesos e até mesmo criativos, ela ainda enfrenta dificuldades em entender o contexto, capturar a sensibilidade humana e criar algo que ressoe profundamente com os leitores. Além disso, a criatividade humana em grande parte ou maioria das vezes se baseia em experiências pessoais, sentimentos subjetivos e interpretações únicas do mundo ao nosso redor.
No entanto, a IA pode ser uma ferramenta útil para os escritores e poetas, ajudando-os a aprimorar habilidades e fornecendo sugestões e inspirações. Conheço escritores que estão explorando o uso de IA como fonte de ideias, mas, no final das contas, o papel do escritor ou poeta na criação de obras de ficção e poesia continua sendo único e insubstituível. Nas pesquisas que tenho feito, incluindo no Chat GTP, o argumento repetido é ser improvável que a IA substitua completamente o escritor ou o poeta na elaboração de um livro de ficção ou poesia. A criatividade humana e a expressão artística ainda têm valor único e profundidade que são difíceis de serem reproduzidas por uma máquina. Difíceis, mas não impossíveis.
No site Mundo Escrito, encontrei um texto dizendo que “(…) o ChatGPT está para a criação de textos assim como a calculadora está para o ato de fazer contas. E, claro, nem por isso os matemáticos se tornaram desnecessários! (…) A Inteligência Artificial pode [e deve] ser utilizada como uma aliada valiosa no processo criativo. Como ferramenta que é fonte de inspiração e facilitadora da otimização do tempo, podemos sem medo associá-la ao valor insubstituível da expressão humana. Ao abraçar a IA como uma ferramenta com tantos potenciais, o escritor só deveria se sentir grato, nunca ameaçado!”
Ao menos por enquanto, não acredito que a IA consiga passar perto da criatividade, talento e estilo expressados por Hélio Consolaro, Cidinha Baracat, Tito Damazo, Marilurdes Campezi e Antônio Luceni, para ficar em apenas alguns dos meus confrades e confreiras da Academia Araçatubense de Letras. Sinceramente, espero que assim continue.
*Marcelo Teixeira é jornalista e membro da Academia Araçatubense de Letras



