RUBENS BIZARRO ROMARIZ
Houve um tempo na infância e na adolescência em que sonhava às vezes de ser o melhor ponta direita de meu time de futebol na cidade de Vinhedo, outros que seria um médico como Dr.Abrão amigo de meu pai, que sempre dizia:- “ O melhor remédio é aquele que você não toma”.
Antes de poder entrar para o Ginásio, hoje Ensino Fundamental, tive que frequentar durante um ano o curso de admissão, onde obrigatoriamente tinha que ler às vezes Monteiro Lobato, outras de autores desconhecidos. Finalmente, fui aprovado com nota 81 o que me deu o direito de matricular-me no Ginásio.
Quicá foi o tempo em que mais sonhei com o Brasil que acordava com novas indústrias, com a descoberta do petróleo no Brasil, com discursos de Getúlio Vargas, bem antes de seu suicídio provocado por uma oposição ferrolha ao seu governo, como Presidente da República.
No ginásio ia pela Campinas de bonde por todos os locais da cidade, e na Biblioteca Municipal encontrava livros de estórias, revistas como a do Mandraque, do Fantasma, do Zorro…
Foi um tempo em que o ensino era rígido na disciplina, Latim, Francês, Matemática, História, Geografia, Trabalhos Manuais, Música com Solfejos, Educação Física e um boletim mensal com as notas de aplicação e de comportamento, onde mensalmente meu pai tinha que assinar. Aulas até nos sábados com tarefas de todas as disciplinas.
Trazia uma bolsa de couro com os livros e cadernos das aulas daquele dia. Meu uniforme de brim de calça comprida, em cuja camisa havia o distintivo da escola.
Ah! O tempo presente em que a escola liberta os sábados, que o aluno usa uma camiseta, pés de chinelo, apenas um caderno ou uma apostila, que vê um professor como um funcionário do governo, que sabe que não precisa de nenhum esforço supremo para receber o seu diploma.
Juventude liberta com direitos, educação mais tarde em reflexo na sociedade, candidato a um cargo político, de um comportamento perdoado por ser menor de 18 anos, frutos de uma Constituição liberta de infinitos artigos.
Ao contrário, hoje deputados, senadores e os premiados em cargos na justiça, com ternos impecáveis com imensos direitos em cujos pés trazem um sapato lustroso. Salários aprovados, viagens, mordomias tantas que não percebem como está anêmica a nossa educação tupiniquim.
O jovem que pratica o roubo, que anda armado, que se veste em tatuagens, que pratica crimes diversos, é apenas o reflexo da educação que recebeu.
A Pátria não é a vitória do Futebol, do Carnaval, na miragem de uma novela. A vida humana é como uma árvore, que absorve o solo na busca da seiva bruta que vai elaborar o seu alimento.
Que mais dizer se somos hoje a educação que nos moldura para o amanhã. O Brasil de hoje ajoelha-se nas tantas injustiças diárias, a verdade é mentira, a mentira é verdade, na voz da imprensa falada e o verniz da Educação Pátria esfarela-se da esperança do : “O BRASIL É A ESPERANÇA DO FUTURO.”
Uma boa sexta feira e um final de semana aos nossos leitores de “O LIBERAL”’.
RUBENS BIZARRO ROMARIZ É PROFESSOR APOSENTADO, ESCRITOR E CRONISTA. ESCREVE SEMANALMENTE PARA O LIBERAL REGIONAL



