Redução no nível do reservatório de Jupiá gera preocupação; medida atinge outros lagos

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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Em abril de 2019 a Usina Engenheiro Souza Dias (Jupiá), no Rio Paraná, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS) completou 50 anos do início da operação. Foi o primeiro grande aproveitamento hídrico para geração de energia. Por tratar-se de uma usina a fio d´água, o reservatório é apenas para controlar vazão. A água que chega das usinas a montante é suficiente para rodar as turbinas. O mesmo acontece com a Usina Nova Avanhandava, no Rio Tietê. Com esta característica técnica, o nível do reservatório tem poucas variações ao longo do ano, mesmo em período de longas estiagens e crises hídricas. No entanto, o quadro que se vê agora contrasta com o período de intensas chuvas. Ribeirinhos afirmam que jamais viram o lago tão baixo. A gestora da usina, a CTG, informa que os níveis são determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).

No período de 2014 e 2015, várias regiões vivenciaram grave crise hídrica, com adoção de racionamento no abastecimento de água de dezenas de cidades. Além disso, o Hidrovia Tietê-Paraná chegou a ser paralisada por mais de um ano por falta de condições de navegabilidade. Os reservatórios de Ilha Solteira (Rio Paraná) e Três Irmãos (Rio Tietê) chegaram a volume útil 0%. Além disso, muitas edificações que ficaram encobertas com a formação dos reservatórios, apareceram. O Porto de Pereira Barreto ficou seco, o mesmo acontecendo em Araçatuba.

A situação noticiada em série de reportagens de O LIBERAL REGIONAL. No dia 19 de junho de 2014, a equipe percorreu várias cidades, chegando até Rubineia e Santa Fé do Sul, no extremo do Estado, onde a junção dos rios Paranaíba (divide Goiás e Minas Gerais) e Grande (divide Minas Gerais e São Paulo) formam o Rio Paraná (divisa de Mato Grosso do Sul e São Paulo). Nem mesmo neste período tão grave o reservatório de Jupiá ficou baixo.

Com a formação do reservatório de Jupiá, rios como o Sucuriú (MS) e Tietê (São Paulo), ficaram represados e aumentam a largura. No lado paulista, a cidade de Itapura ficou coberta. Apenas uma caixa’água ficou parcialmente exposta. Até mesmo os saltos de Itapura e e Urubupungá foram cobertos pela água. Já no lado de Três Lagoas, o Rio Sucuriu passou a receber condomínios ribeirinhos e outros tipos de ranchos. Recentemente, pessoas que estiveram no local para as festas de fim de ano e que frequentam o local há mais de 4 décadas confirmaram que jamais o rio ficou tão baixo, o que gera preocupação.

Ao contrário de 2014/2015, quando outras usinas mantiveram os níveis,  reduzindo apenas em Ilha Solteira e Três Irmãos, agora mudou. Enquanto as usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos estão com volume útil acima de 50%, as principais usinas dos rios Grande e Paranaíba, que formam o Paraná, o volume útil está abaixo de 15%.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico é responsável pelo controle do nível dos reservatórios, compatibilizando a necessidade de geração de energia com outras atividades. No entanto, a prioridade sempre é a geração de energia. Por isso, muitas vezes a operação dos reservatórios, adequada para a geração de energia, causa muitos transtornos para outras atividades, como piscicultura e até mesmo a navegação. A situação está preocupando muita gente.

 

NA ÁGUA – Em 2014, em plena crise hídrica, a caixa d’água de Itapura ainda estava dentro do rio – ANTÔNIO CRISPIM
NA AREIA – Em 2021, mesmo em período chuvoso, a mesma caixa d’água está na areia – NOROESTE RURAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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