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Motorista da Saúde não aparece em escalas e tem o maior salário

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ANTONIO CRISPIM – CASTILHO

O motorista S.M.S., lotado na Secretaria da Saúde de Castilho e que dizem ser “protegido” político da prefeita Fátima Nascimento e de sua filha, a secretária Janini Nascimento, raramente é encontrado na Central de Ambulâncias. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, ele não está viajando com a maioria, pois não aparece nas escalas. Mesmo assim e com salário base igual, ele consegue ganhar mais. Isso gera desconforto entre motoristas que cumprem extensa jornada e tem ponto eletrônico. Já S.M.S. preenche a própria folha de ponto e lidera as horas extras.
No decorrer desta semana, diferentes pessoas foram ao local de trabalho de S.M.S.. Também telefonaram. Em nenhum momento, em diferentes horários (horário de expediente), ele foi encontrado. Entre motoristas há até a brincadeira de que para esconder-se dele, basta ficar na Central de Ambulância. Os motoristas evitam falar sobre o colega de trabalho, que é antigo e tem força política. Tanto, que uma filha faz estágio na Prefeitura e outra presta serviços à Prefeitura por meio do Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste Paulista.
Com o compromisso do anonimato, motoristas relatam que S.M.S. deve ser candidato a vereador, por isso, usa a sua força política garantir vaga para caronistas em viagens longas, como São Paulo. “Este é um problema grave”, disse um motorista, que não concorda com as caronas, mas nada pode fazer.

SALÁRIOS
Atualmente o salário base do motorista da Prefeitura de Castilho é de R$ 1.432,10. Os motoristas da Saúde, que fazem viagens e, consequentemente, horas extras, ganham mais. Além disso, têm insalubridade. Para se ter ideia, no mês de junho, S.M.S. teve salário de R$ 3.811,78 com 44 horas extras de 100% e 62 horas extras de 50%. Outro motoristas do mesmo setor, citados em várias escalas ao longo do mês, receberam R$ 3.358,41 e R$ 3.000,78. Motoristas da Secretaria da Educação e de Obras, receberam R$ 2.371,90, R$ 1.088,59 w R$ 2.698,96. Os números mostram a diferença entre motoristas de diferentes setores da administração.
Quanto aos motoristas da Saúde, que viajam bastante, têm direito a diárias e outras despesas. A reportagem não conseguiu observar as prestações de contas de S.M.S. para saber de suas viagens. Outro questionamento feito por motoristas, é quanto à insalubridade. Como não há o nome dele em escalas, não teria como justificar a insalubridade. “É uma farra que precisa ser investigada pelo Ministério Público Estadual e pelo Ministério Público do Trabalho, porque todos nós registramos ponto eletrônico e só ele pode assinar a folha de ponto?” indagou motorista.

LEVANTAMENTO
A reportagem fez levantamento junto ao Portal da Transparência, de forma aleatória, de quatro motoristas que aparecem com frequência nas escalas de viagem e de S.M.S., que não aparece. Enquanto S.M.S. recebeu R$ 23.800,65, outros motoristas receberam R$ 15.778,91, R$ 20.108,41, R$ 20.613,21 e R$ 20.412,20. Ele ganhou mais do que todos motoristas pesquisados, mesmo não aparecendo nas escalas de viagem.
Caronas geram desconforto aos pacientes e acompanhantes
Há muito tempo há denúncias de caronistas no transporte de pacientes de Castilho. Muitas vezes o número de caronista é maior do que de pacientes. “Uma forma de fazer política usando o dinheiro público”, disse um motorista. Há “passageiros” tanto para viagem de ida como de volta. Os veículos da saúde fazem o papel de transporte coletivo regular.
“Como pode você em, uma viagem de 700 quilômetros ir com uma criança deste jeito, com o pé socado na maca, sem poder se mexer. Você vai chegar lá que não vai andar, pois não consegue mexer a perna”, disse uma mulher em vídeo que vazou na internet nesta semana. “Esta Prefeitura de Castilho está dando vergonha. Como você vai com uma criança operada, uma outra criança na maca e com sonda no nariz e a mãe com a perna enfincada no ferro da maca. Isso é desumano, gente”, desabafou a mulher, citando que os caronas vão confortáveis. “Isso não pode ficar assim”, disse ela.
A reportagem apurou que há viagens para São Paulo em que o veículo vai cheio, mas poucos são pacientes.

 


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