Home Cidades Araçatuba Em 15 anos, cinco eleições municipais foram anuladas na região

Em 15 anos, cinco eleições municipais foram anuladas na região

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A semana que passou, na política regional, foi marcada por uma das notícias mais aguardadas dos últimos dois meses: a confirmação da nova eleição para prefeito e vice-prefeito de Mirandópolis para 1º de setembro.
A realização da eleição suplementar no município, por outro lado, traz à tona uma estatística nada positiva para a região de Araçatuba. Levantamento feito pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL mostra que, nos últimos 15 anos, cinco eleições municipais foram anuladas pela Justiça Eleitoral no território, contando a de Mirandópolis. Quando isso acontece, devido a irregularidades praticadas pelo prefeito eleito, um novo pleito tem de ser realizado.
Essa trajetória de polêmicas traz até algumas histórias curiosas. Bento de Abreu, um dos menores municípios da região, com menos de três mil habitantes, viu-se diante dessa situação por duas vezes no período.
Em 2004, Terezinha Salesse (PTB) foi eleita prefeita. Porém, já em fevereiro do ano seguinte, os eleitores daquela cidade precisaram voltar às urnas para escolher seu governante. Terezinha fora cassada pela Justiça Eleitoral. Na nova disputa, o vencedor foi o dentista Marlon Antonio Resina (PSDB), que governou a cidade até 2008.
Aquele pequeno eleitorado só não podia imaginar que viveria situação semelhante oito anos depois. E ainda com a mesma personagem. Reeleita em 2012, Terezinha foi cassada com base na lei da Ficha Limpa. Resultado: mais uma vez, eleição suplementar. Só que, dessa vez, o novo pleito demorou a acontecer.
Em dezembro de 2014, os eleitores de Bento de Abreu foram, de novo às urnas, e elegeram Nivaldo Sônego (PRB) prefeito. Enquanto essa disputa eleitoral não ocorria, a cidade teve dois prefeitos diferentes nos anos de 2013 e 2014, todos presidentes da Câmara Municipal – na cidade, o chefe do legislativo tem mandato de um ano.
COROADOS
Outra situação inusitada aconteceu em Coroados. Também eleito em 2004, o então prefeito eleito pelo antigo PFL, Arson Varoni, teve sua candidatura cassada, acusado de propaganda eleitoral ostensiva. Com isso, uma nova eleição aconteceu em 2006. O então presidente da Câmara, Elias Ferreira (DEM), venceu.
Porém, dois anos depois, foi cassado pela Justiça Eleitoral em denúncia de compra de votos. Com a queda do democrata, foi dada posse ao segundo colocado na eleição suplementar, Nelson Gonzales Caetano (MDB), que governou a cidade pelos seis meses restantes de 2008. Ou seja, em quatro anos, a cidade teve três prefeitos.
GENERAL SALGADO
Em General Salgado, a cassação, baseada na Lei da Ficha Limpa, do prefeito eleito em 2012, David José Martins Rodrigues (DEM), levou um carteiro ao comando do Executivo. Então presidente da Câmara, Leandro Rogério de Oliveira (PL) assumiu interinamente a Prefeitura em 2013, mas se sagrou vencedor da eleição suplementar daquele ano. Leandro do Correio, como é conhecido foi reeleito em 2016, mas luta contra ações por improbidade administrativa que podem resultar na cassação de seu mandato.

Mirandópolis se prepara para momento inédito

A nova eleição será um fato inédito na história política de Mirandópolis, que já era marcada por agitação. A determinação da renovação das eleições se deu em decorrência de decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que manteve as sentenças proferidas pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) pelo indeferimento da candidatura do vice-prefeito José Antonio Rodrigues (SD), o que levou, assim, à inelegibilidade da prefeita eleita em 2016, Regina Mustafa (PV). Rodrigues tinhas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.
Hoje, a cidade é governada pelo prefeito interino Carlos Weverton (MDB), que era presidente da Câmara e assumiu o cargo devido ao afastamento do titular. Ele poderá participar da eleição suplementar, mas, por enquanto, não definiu se concorre ou não, conforme declarou em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL na última semana.
De todas as cidades da região que já se viram nessa situação nos últimos 15 anos, Mirandópolis é o maior colégio eleitoral. São 20.213 eleitores. A cidade foi ainda berço do nome mais influente da política regional dos últimos 50 anos, Jorge Maluly Netto, que foi deputado federal por sete mandatos e prefeito de Araçatuba e Mirandópolis.

 


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