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Avião chega para ajudar a combater incêndio em área de reserva

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VITOR MORETTI – CASTILHO

É um cenário devastador. Por onde você olha, só enxerga cores cinzas. Um local que até o início da semana servia de abrigo para a morada de animais e de aves, hoje arde em chamas. Entrou para o terceiro dia o incêndio de grandes proporções que atinge uma área de reserva ambiental em Castilho. O fogo, até as 18h de hoje (29), ainda não tinha sido controlado. Uma área equivalente a dois mil campos de futebol já foi destruída, mas deve aumentar. Ontem, um avião agrícola chegou para ajudar nos combates, depois de uma determinação da Defesa Civil do Estado de São Paulo.
A equipe de reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL viajou até o município e viu de perto todo o cenário, que lembra mais de uma guerra. No meio do caminho, pela terra batida e a poeira, árvores mortas, queimadas e uma forte sensação de mormaço pelo calor das chamas. No chão devastado, encontramos animais mortos, todos carbonizados.
Ainda sem controle, o fogo, agora, atinge uma mata fechada, de difícil acesso. Cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros, além de brigadistas das prefeituras da região, funcionários de usinas sucroalcooleiras e o helicóptero Águia, da Polícia Militar, foram deslocados até o incêndio. Mas, por determinação da Defesa Civil do Estado, um avião agrícola chegou à região para prestar apoio. As graves notícias a respeito do incêndio também preocupam o governo paulista.
“A Defesa Civil, através de uma iniciativa do governo do Estado, estamos apoiando as equipes dos bombeiros no local, no município de Castilho. Nós estamos levantando todos os esforços disponíveis no estado. Atualmente, contamos com as equipes do Corpo de Bombeiros no local, brigadistas, a Polícia Militar por meio do Águia”, disse o Tenente Coronel Henguel Ricardo Pereira, diretor da Defesa Civil do Estado.
De acordo com o capitão dos Bombeiros, Walter Cruz Oliveira, a eficiência do avião é muito grande, já que ele é abastecido com água e espuma, o que ajuda ainda mais a apagar os focos de fogo.
“Essa aeronave foi contratada emergencialmente pelo Estado. Ela comporta dois mil litros de mistura de água, ou seja, um liquido gerador de espuma. Esse líquido é pulverizado em determinados pontos. Da mesa forma, o helicóptero Águia contribui com seu cesto e esses acessos são direcionadas especificamente aos focos que não conseguimos acessar”, informou.
Mas não é um trabalho fácil. A grande dificuldade encontrada é o tipo de terreno onde as chamas se espalharam. “Além do acesso, do clima, do relevo, do vento, é um local que o fogo vai caminhando. Temos que andar muito para chegar até lá, é de difícil acesso e em alguns pontos as nossas viaturas não conseguem ter acesso, muito menos os homens a pé”, complementou o capitão.

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DEVASTAÇÃO
No meio do caminho até o ponto mais próximo de onde o incêndio ainda está fora de controle, a nossa equipe encontrou troncos de árvores ainda em chamas. Uma delas caiu no meio de uma estradinha de terra, impedindo a passagem de veículos para o único lugar que dá acesso até a mata.
Cruzamos com um caminhão dos Bombeiros, que retornava para fazer o abastecimento de água em uma usina localizada a cerca de 30 quilômetros. No tronco da árvore existia uma colmeia, por isso, a melhor decisão foi arrastá-la e tirá-la do caminho.
Durante o trajeto, encontramos um morador, que vive ali há 40 anos. O seo Sinval Nunes dos Santos olha para o horizonte e ainda não acredita no que está vendo. Nunca viu nada igual.
“Foi devastador. Todo ano pega fogo, mas nessas proporções eu nunca vi. Teve um morador daqui que teve que pedir ao Corpo de Bombeiros lá de Andradina vir para apagar o fogo em volta da casa, porque não estava mais aguentado. É triste, vários animais morrendo, como tatu, cobra e o tamanduá bandeira”.
MONITORAMENTO
Parte da área queimada pertence à Cesp (Companhia Energética de São Paulo). Por meio de uma nota, o órgão informou que continua monitorando o incêndio.
“A área total da Reserva particular do patrimônio natural Aguapeí é de 8.353 hectares. Estima-se que uma área de dois mil hectares foi queimada. A empresa também comunicou às autoridades sobre a ocorrência para apuração dos fatos, tendo em vista que foram identificados pelo menos dois focos iniciais de incêndio, distantes, a cerca de três quilômetros”, informou a nota.

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