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PF cumpre mandados na região de Araçatuba em nova fase da Operação Lava Jato

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quarta-feira (31), a 62ª fase da Operação Lava Jato e mirou o empresário Walter Faria, presidente do grupo Petrópolis, a segunda maior empresa de cerveja no Brasil. O investigado possui imóveis na região de Araçatuba, por isso, policiais federais de Jales prestaram apoio durante a fase denominada ‘Rock City’. Dessa vez, o objetivo foi apurar o pagamento de propinas disfarçadas de doações de campanha eleitoral realizado por empresas do grupo investigado, que também teria auxiliado a empreiteira Odebrecht a pagar valores ilícitos de forma oculta e dissimulada, através da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.

Cerca de 120 policiais federais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em 15 municípios, entre eles Sant Fé do Sul, na região de Araçatuba, onde Faria possui imóveis residenciais e comerciais, já que é natural de Pedranópolis, cidade a 73 quilômetros de distância uma da outra. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL apurou que os policiais federais de Jales foram até um rancho da família de Faria, localizado às margens de um rio em Santa Fé do Sul. Uma lancha do empresário, que estava nas imediações, também foi vistoriada. Além disso, a PF cumpriu buscas em imóveis comerciais do empresário na cidade e apreendeu documentos de interesse das investigações. Até o fechamento dessa edição, o investigado não tinha sido localizado pelos policiais, já que existe um mandado de prisão preventiva contra ele.

Outros três executivos ligados ao grupo Petrópolis foram presos temporariamente. De acordo com a PF, Faria já estava envolvido em outras investigações da Lava Jato, como o envolvimento com o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, mas que movimentações recentes de recursos de offshore indicariam tentativa de dissipação de patrimônio adquirido de maneira ilícita. Isso motivou o pedido de prisão e a deflagração da operação de hoje.

No total, Walter Faria e outros executivos do Grupo Petrópolis teriam atuado na lavagem de cerca de R$ 329 milhões de reais em contas fora do Brasil e movimentado US$ 106 milhões em operações no exterior, segundo o Ministério Público Federal.

ESQUEMA

Um dos executivos da Odebrecht, em colaboração premiada, afirmou que utilizou o Grupo Petrópolis para realizar doações de campanha eleitoral para políticos de outubro de 2008 a junho de 2014, o que resultou em dívida não contabilizada pela empreiteira com o grupo investigado, no valor de R$ 120 milhões. Em contrapartida, a Odebrecht investia em negócios do grupo.

A suspeita da força-tarefa da Lava Jato é que offshores relacionadas à empreiteira realizavam – no exterior – transferências de valores para offshores do Grupo Petrópolis, o qual disponibilizava dinheiro em espécie no Brasil para realização de doações eleitorais.

 

Também foi apurado que Walter Faria utilizou o programa de repatriação de recursos do exterior de 2017 para trazer R$ 1,3 bilhão ao Brasil. Contudo, de acordo com a PF, há indícios de que essa movimentação tenha sido irregular e que os recursos seriam provenientes da prática de “caixa dois” na empresa.

VALOR DE MERCADO

O Grupo Petrópolis é dono de marcas de cerveja como Itaipava, Crystal e Petra, além de vodkas e outras bebidas não alcoólicas. Nascido em 1955, na cidade de Pedranópolis, Faria se mudou com a sua família, aos sete anos de idade, para Fernandópolis, onde trabalhou com a venda de ovos e leitões. Em 2016, o empresário foi listado entre os 70 maiores bilionários do Brasil pela revista Forbes, com um patrimônio estimado em 3,8 bilhões de reais em janeiro de 2015

Em nota, a empresa informou que “seus executivos já prestaram anteriormente todos os esclarecimentos sobre o assunto aos órgãos competentes” e que “sempre esteve e continua à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos”. (Com informações de Agência Brasil)


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