Operação Raio-X: líderes de organização criminosa são alvos de mandados por suposta fraude em atestados médicos

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Policiais civis do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), GOE (Grupo de Operações Especiais) e DIG (Delegacia de Investigações Gerais) cumpriram três mandados de buscas e apreensões em Araçatuba e Birigui no âmbito da operação Raio-X, que investiga o desvio de cerca de R$ 500 milhões de verbas destinadas à saúde, principalmente do combate à Covid-19. Nessa terça-feira (11), os trabalhos tiveram como foco o médico Lauro Henrique Fusco Marinho, que teria apresentado laudos falsificados para conseguir a prisão domiciliar e o irmão dele, médico ortopedista, que teria assinado o atestado.

De acordo com informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, as equipes cumpriram os mandados na residência de Lauro, que fica em Birigui. Lá foram apreendidos documentos, R$ 11.560,00 em dinheiro e outros objetos de interesse para a investigação. Já em Araçatuba foram cumpridos mandados na casa e na clínica do irmão de Lauro, suspeito de ter assinado o laudo médico falsificado que possibilitou a ida do réu para prisão domiciliar.

No local foram apreendidos celulares, computadores e documentos médicos. Todos os materiais foram levados para a CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Araçatuba e devem ser anexados às investigações.

FALSIFICAÇÕES

Segundo as investigações da Polícia Civil, o primeiro a apresentar um laudo médico falso foi o anestesista Cleudson Garcia Montali. Ele foi preso em setembro do ano passado durante a deflagração da primeira fase da operação Raio-X e permaneceu detido no CR (Centro de Ressocialização) de Araçatuba. Foi na unidade prisional que ele teria planejado tudo. O atestado falso constava que o réu sofria de anemia, depressão e ansiedade e corria, inclusive, risco de morte.

Após as suspeitas de fraude, o STF (Supremo Tribunal Federal) cassou a liminar que permitia o cumprimento da pena em prisão domiciliar e Cleudson foi novamente preso no último dia dois de maio em Clementina, região de Araçatuba. A autorização para o afastamento da unidade prisional foi concedida pelo ministro Gilmar Mendes.

Ainda segundo as investigações, a mesma estratégia também foi utilizada por Lauro Henrique Fusco Marinho. Mas, no caso dele, o atestado foi assinado pelo próprio irmão. Na segunda-feira (10), o STF determinou que o réu realize um novo exame de saúde. Ele continua em prisão domiciliar.

Além dos cumprimentos realizados ontem, a polícia também já cumpriu outros mandados em clínicas e residências de outros médicos em Birigui, suspeitos de auxiliarem Cleudson com as fraudes.

INVESTIGAÇÕES

A operação Raio-X foi deflagrada no dia 29 de setembro do ano passado após dois anos de trabalho investigativo. O grupo usava organizações sociais de saúde OS (Santa Casa de Birigui e Santa Casa de Pacaembu). Por meio destas instituições eram firmados contratos de gestão com municípios. Os recursos eram desviados por meio de contratos com prestadores de serviços. O esquema envolvia dezenas de pessoas. Na operação foram apreendidas propriedades, veículos de luxo e até uma aeronave. A Justiça já autorizou a alienação de alguns bens.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Cleudson, a qual informou que irá se pronunciar na hora oportuna. Também houve contato com a defesa de Lauro e com a clínica em que o irmão dele trabalha, mas sem sucesso.


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