Uma semana após o assalto à unidade da Protege em Araçatuba, no bairro Santana, que aconteceu na madrugada de segunda (16), moradores ainda convivem com as lembranças assustadoras daquela noite.
Além do medo constante que sentem devido ao tiroteio e explosões de bombas que ocorreram no local, os vizinhos da Protege também estão preocupados com as reformas das casas que foram danificadas após o incidente.
Seis casas sofreram danos estruturais com as explosões. Uma delas, que divide o muro com o prédio da Protege, foi totalmente destruída. Os moradores não quiseram se identificar, porém contaram inseguros que tiveram que se mudar para outra casa nas imediações porque não há condições de ficar no imóvel.
“Nós não temos condições de fazer a reforma. Perdemos a casa e três carros nesse incidente, não posso vender um carro, por exemplo, para pagar o conserto. Estamos aguardando nosso advogado resolver tudo com os advogados da Protege”, explicou o morador.
Três casas que ficam do outro lado da rua serão reformadas pela imobiliária que administra os imóveis. De acordo com o responsável pelos imóveis, Luiz Carlos Leão de Souza, a Protege prometeu ressarcir os custos.
“Estamos pagando tudo do nosso bolso e pegando as notas fiscais porque estamos sob a promessa da Protege de nos ressarcir de todos os gastos, mediante apresentação das notas fiscais”, afirmou Luiz Carlos.
Segundo ele, um engenheiro e um da Protege foi ao local para avaliar as residências e a empresa afirmou que o departamento jurídico vai procurar pelas famílias prejudicadas. A Defesa Civil realizou pericia nas casas que sofreram dados e foi registrado boletim de ocorrência.
A primeira das três casas já está sendo reformada e na sequencia, as outras duas também serão.
Para os moradores que têm casa própria no local a situação é mais complicada, pois a reforma tem que ser feita com recursos deles mesmos. É o caso de Juarez Guilhen, que mora no mesmo endereço desde 1962.
Janelas, portas e telhado da casa foram danificados e ele iniciou as obras sem poder. “A gente não poderia estar fazendo essa reforma, não tínhamos dinheiro para isso. Mas não posso deixar do jeito que está, se chover vai molhar tudo por dentro”, afirmou.
A Protege não se pronunciou oficialmente em relação ao ocorrido, nem quanto aos custos com as reformas necessárias na vizinhança. Os moradores relataram que apesar de a empresa ter prometido que o departamento jurídico entraria em contato, ninguém apareceu.
MEDO
“Estamos assustados até com um garfo que cai no chão”. É assim que um dos moradores, que também não quis se identificar, define a situação emocional de quem passou pelo terror da madrugada do dia 16.
Outra moradora disse que agora que tudo passou está começando a assimilar o que aconteceu e sente muito medo. “Sinto uma dor de cabeça muito forte desde o dia que tudo aconteceu. Foi um inferno o que vivemos, desde aquele dia não consigo nem cozinhar, minha irmã traz comida para mim”, contou.
Apesar do medo, eles estão agradecidos por estarem vivos e bem. “O importante é que estamos vivos, o resto a gente corre atrás. Vamos aguardar o posicionamento da Protege e torcer para que tudo volte ao normal rápido”, espera outro vizinho.

