O calor chegou e nos últimos dias vem aumentando o número de crianças e idosos afetados pelos males comuns aos dias quentes do verão. Os chamados “extremos da vida” são mais frágeis e mais sensíveis às mudanças de temperatura, sendo mais afetados por doenças nessa época.
As altas temperaturas típicas da região, associadas à baixa umidade do ar, aumentam a presença de vírus e bactérias no ar. “A qualidade do ar da nossa região é ruim porque tem presença grande de partículas, vírus e bactérias suspensas”, explica o pediatra Anderson Azevedo Dutra.
Esse ar poluído provoca as epidemias de doenças, ou seja, faz com que episódios que poderiam acontecer espaçados se acumulem em um período só.
“Nos últimos dias temos tido grande incidência de conjuntivite, rotavirús (que causa vômitos e diarreia) e estomatites (que causam lesões na boca). Além disso, quadros de gripe, resfriados e pneumonia”, alertou o médico.
Para evitar que as crianças fiquem doentes no calor, doutor Anderson orienta que os pais evitem ambientes coletivos fechados, lavem o nariz das crianças com soro fisiológico com frequência – mesmo que não estejam gripadas – e umidifiquem o ar que a criança respira.
“O ambiente fechado potencializa a transmissão das doenças, então é fundamental não mandar para a escola quando a criança não estiver bem porque poderá contaminar outras. Mas caso não seja possível evitar, lavar o nariz ajuda a retirar as partículas nocivas que ficam nas narinas”, explicou.
Sobre o uso do umidificador, o pediatra desmentiu a preocupação com a proliferação de mofo devido ao uso do aparelho. “E ao contrário do que muitos dizem, o uso do umidificador não aumenta a produção de fungos. Nossa região é muito quente e não é propícia para isso. Então, as famílias devem usar o umidificador, principalmente à noite”.
IDOSOS
No outro extremo da preocupação nessa época estão os idosos. Segundo a cardiologista e clínica geral Helena Cordeiro Barroso, os idosos sentem mais sede, suam menos e perdem mais urina devido à incontinência.
“Como muitos têm dificuldade de se locomover e, muitas vezes, não querem incomodar os mais jovens, passam muito tempo sem beber água e isso é perigoso, pois causa desidratação”, explicou.
A médica alertou que os familiares e cuidadores dos idosos devem estar sempre atentos ao comportamento deles, percebendo sinais como boca seca e confusão. “A desidratação causa tontura, boca seca, confusão e pouca urina. Então a família precisa prestar muita atenção”.
Idosos portadores de doenças como alzheimer, por exemplo, podem apresentar piora no quadro de confusão mental devido à desidratação. O tratamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, precisa ser modificado durante o calor intenso.
“Os medicamentos para pressão alta já abaixam a pressão, o que também acontece naturalmente no calor. Se a dose do medicamento for mantida, a pressão pode diminuir muito e causar quedas, fraturas e até morte em decorrência de complicações”, explicou doutora Helena.
Justamente para diminuir a dose dos medicamentos para hipertensão, dona Manoelita de Oliveira Queiroz, que completará 88 anos domingo, passou por consulta, na manhã de ontem (19), no consultório da médica.
Para garantir a hidratação dos idosos é importante mantê-los em ambiente arejado, com roupas leves de algodão, dar banhos diários e oferecer a cada três horas água de côco, sucos naturais e água filtrada.
“A alimentação do idoso também precisa ser leve, com saladas, frutas, legumes e carnes leves, de preferência carne branca, e que os alimentos sejam preparados no dia do consumo”, explicou a médica.
EXPOSIÇÃO AO SOL
Tanto os idosos quanto as crianças precisam evitar a exposição excessiva ao sol. O ideal é tomar sol antes das 10h e após as 17h e aplicar sempre o protetor solar. Além do filtro solar, roupas leves e chapéus ajudam a proteger do sol.
No caso dos idosos, a exposição ao sol nesses períodos é importante para a absorção de vitamida D, importante para os hormônios e fortalecimento dos ossos.
Karen Mendes – Araçatuba

