PARAR - A Hidrovia Tietê-Paraná deve parar ainda este mês, causando transtorno no escoamento da produção ANTONIO CRISPIM

Suspensão da operação da hidrovia mostra a importância do investimento na ferrovia

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ANTONIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O presidente do Sindasp (Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo) e vice-presidente da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária), Luízio Rizzo Rocha confirmou que a Hidrovia Tietê-Paraná vai parar no dia 27 de agosto. No entanto, o Ministério da Infraestrutura e o Departamento Hidroviário, vinculado à Secretaria de Logística e Transporte de São Paulo, ainda não confirmam a data. Por outro, a Rumo Logística já protocolou na Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), em julho de 2019, o pedido de relicitação da Malha Oeste (trecho que vai de Bauru a Mato Grosso do Sul), que poderia ser alternativa de escoamento da produção pela ferrovia. Mas ainda não há data para nova licitação do trecho. Enquanto isso, indústrias e produtores precisam buscar alternativas.

“Ainda não há certeza nem deliberação sobre a movimentação de cargas na hidrovia Tietê-Paraná. Ou seja, sem qualquer informação, no momento, de restrições de transporte e, muito menos, por qual período. O Ministério da Infraestrutura trata o assunto de forma estratégica, junto à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Na tentativa de minimizar ao máximo os impactos, estão alinhadas a operação da hidrovia com a necessidade de poupar água nos reservatórios, inclusive, com reuniões técnicas semanais e acompanhamento da Casa Civil da Presidência da República”, disse a assessoria do ministério da Infraestrutura sobre a hidrovia.

“O Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo (DH) recebeu, no final de maio/21, alerta do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) informando que a hidrovia Tietê-Paraná poderá ser paralisada. A partir daí, o Departamento tem trabalhado numa redução gradativa de calados no rio Tietê para evitar a paralisação e, assim, permitir o escoamento dos grãos. Atualmente, a Hidrovia tem cerca de 10 comboios operando, de um total de 24 (que funcionava de janeiro a maio deste ano). No ano passado, de janeiro a maio, eram 14 comboios. O problema afeta diretamente o transporte da produção agrícola do Brasil. É por isto que a Secretaria de Logística e Transportes entende que é importantíssimo mudar a matriz energética do país para diminuir a dependência das hidroelétricas. A Secretaria acredita que tem faltado uma ação mais firme de planejamento para atenuar o problema, que é recorrente e vem se agravando em períodos mais recentes”, disse o DH.

 

FALTA DE INVESTIMENTO

A falta de investimento na hidrovia leva a essa insegurança. O mesmo ocorre com a ferrovia – Malha Oeste – que vem perdendo a sua importância. Nem mesmo com a disposição dos governos de Mato Grosso do Sul e Paraná  em construír uma nova ferrovia estimula acelerar o processo da Malha Oeste.

Com isso, empresas instaladas em Três Lagoas e que poderiam usar mais a ferrovia ou a hidrovia, acabam optando pou outros modais. Ou até mesmo levando a carga para embarque em outra ferrovia, aumentando custos.

Uma das empresas é a Suzano, que tem duas plantas. Em junho, a empresa respondeu à reportagem sobre os modais utilizados.

“Com duas fábricas em operação, a Unidade da Suzano em Três Lagoas (MS) possui capacidade de produção instalada de 3,25 milhões de celulose ao ano, sendo cerca de 90% destinado ao mercado externo. Atualmente, a empresa utiliza uma composição de modal rodoviário e ferroviário para escoar sua produção de Mato Grosso do Sul”, diz a nota da empresa.

De acordo com a Suzano, a produção da 1ª fábrica – capacidade de produção de 1,3 milhão de toneladas/ano -,  é enviada por modal rodoviário até o terminal da empresa instalado também Três Lagoas (cerca de 40 km de distância), de onde segue pela Malha Ferroviária Oeste (bitola métrica) até o Porto de Santos (SP). Paralelamente, a produção da 2ª fábrica – capacidade de produção de 1,95 milhão de toneladas/ano – é escoada por transporte rodoviário até o terminal intermodal da empresa instalado no município de Aparecida do Taboado (cerca de 170 km de distância), também em Mato Grosso do Sul, na divisa com o Estado de São Paulo. E de lá segue pela Malha Ferroviária Norte (bitola larga), até o Porto de Santos (SP)”, conclui a nota.

 

ALTERNATIVA – Investimento na ferrovia seria alternativa, mas não há previsão de licitação
ANTONIO CRISPIM

 

 


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