Ivanir Batista dos Santos destaca o trabalho voluntário

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MARIANE MARTINS – TRÊS LAGOAS

Muitas organizações da sociedade civil brasileira têm se perguntado, como pedir doações? A pesquisa ‘Doador Brasileiro’ traz um panorama do perfil do doador no país e destaca que 29% dos brasileiros realizam doações mensais na faixa etária acima de 50 anos e costumam doar acima de R$ 100; já entre os jovens a média é de 17%, com menos de R$ 50.
A conclusão da pesquisa aponta que o potencial de doação do brasileiro está no segmento “Maturidade” e a principal causa está relacionada com o Desenvolvimento Comunitário.
Sabemos que o Brasil possui muitos desafios de cunho social pela frente. No entanto, o nosso país abriga um povo especialmente solidário com gestos que provocam grandes mudanças. E quanto mais pobre, mais solidário.
Mas, e quando o assunto é pedir doações? Instituições que buscam recursos enfrentam o desafio de que as contribuições não veem se não é feito o pedido. Para a presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Três Lagoas (MS), Ivanir Batista, essa tarefa não é difícil, já que por meio da Instituição, ela perdeu o medo de pedir donativos.
A presidente da entidade concedeu entrevista ao jornal O Liberal Regional onde menciona ações que estão sendo implantadas na Rede, umas das instituições sociais mais respeitadas da costa leste-sul-mato-grossense.
Liberal Regional- Quem é Ivanir Batista dos Santos?
Ivanir Batista- “Sou natural de Inocência (MS), conhecida como a cidade romance, distante a 140 km de Três Lagoas. Vivia em fazenda e mudei-me para Três Lagoas aos nove anos de idade para estudar. Completei 62 anos no dia 23 de abril e sou casada há 49 anos, tenho uma filha e um filho e sou avó de um casal de adolescentes. Tenho formação em Técnico de Contabilidade, atuo há 20 anos numa empresa familiar do ramo automotivo e sou voluntária na Rede Feminina de Combate ao Câncer”.
LR- Como ocorreu seu primeiro contato com a RFCC?
IB- “Minha relação com a Rede é de doação e amor há 13 anos. Tudo começou quando minha mãe descobriu um câncer de mama em 2002. Eu a acompanhava para fazer o tratamento em Barretos e fiquei muito abalada com a situação, mas ela sempre me dava força para enfrentar o desafio. No hospital de Barretos eu percebi que ali há muito amor envolvido, digo sempre às pessoas que quem quiser conhecer um pedaço do céu, visite o hospital do câncer de Barretos. A humanização no atendimento é excepcional. Ao longo do tratamento, mamãe se curou e viveu mais dez anos e acabou falecendo de aneurisma. Nesse tempo, eu quis fazer algo pelo hospital de Barretos. Foi então que o médico disse que eu poderia promover uma campanha para arrecadar lençóis e toalhas. Liguei para uma prima muito querida que também passou por tratamento de câncer e contei meu desejo em ajudar aquelas pessoas, foi então que ela me convidou para fazer parte da Rede Feminina. Entrei como voluntária na Tesouraria, depois fiz parte do Conselho Fiscal e em 2012 fui eleita pela primeira vez presidente. Em 2017 fui eleita novamente para a presidência”.
LR- De que maneira a Rede transformou sua vida?
IB- “A Rede me fez ser uma pessoa mais humilde, pois trabalhamos com muitos voluntários. Eu era uma mulher muito autoritária e orgulhosa. Eu também aprendi a pedir e quando a gente é mandona é difícil pedir algo para alguém e isso me quebrantou. A Rede me ensinou a esperar o tempo certo e principalmente valorizar a vida”.
LR- Quantos colaboradores atuam na Rede?
IB- “São oito funcionários efetivos; duas secretárias, duas assistentes sociais, duas psicólogas e duas colaboradoras nos serviços gerais. Temos também um motorista contratado pela prefeitura além de uma legião de voluntários”.
LR- Com tantas dificuldades que as entidades atravessam na atualidade, como a RFCC sobrevive e qual o número em média de pacientes que estão recebendo assistência?
IB- “Temos 155 pessoas cadastradas que recebem respaldo da Rede. São pessoas de toda região, pacientes de baixa renda que chegam aqui precisando de muita assistência. De domingo à quinta-feira ônibus levam esses pacientes para tratamento em Campo Grande, São José do Rio Preto e Barretos. Cada pessoa precisa de uma necessidade oferecemos ajuda com doação de alimentos, fraldas, leite e atendimento psicossocial. É importante frisar que nós trabalhamos bastante, pois não temos repasse de nenhuma esfera, seja municipal, estadual ou mesmo federal. A sociedade três-lagoense é muito solidária com as doações e presença nos eventos onde conseguimos manter a entidade com as portas abertas. Nossa despesa mensal gira em torno de R$ 20 mil”.
LR- As entidades têm como alternativa para amenizar falta de recursos os eventos para continuar executando serviços de apoio. Quais as próximas ações da RFCC?
IB- “Nosso maior evento é o Leilão Solidário, temos almoços, o Chá Rosa, brechós, bazar com produtos dos artesanatos produzidos pelos pacientes e doações de entidades e da comunidade”.
LR- De que forma a RFCC atua junto ao paciente com atividade ocupacional?
IB- “Todas as segundas-feiras têm um curso de cabeleireiro para capacitar os pacientes. Eles também confeccionam perucas. As terças têm a oficina de artesanato, quarta e sexta-feira oferecemos o projeto ‘Mãos Carinhosas’, que é uma terapia ocupacional e na quinta-feira temos oficinas de pedrarias, bordados e fuxico. Oferecemos ainda terapias com o ‘Escuta-te’, ‘Reiki’, ‘Papo Onco’ ‘Fisioterapia’ e ‘Equilíbrio Energético’ ”.
LR- Neste mês com a Campanha Outubro Rosa, o que a senhora poderia dizer sobre esse movimento e sua importância para a entidade?
IB- “No último dia sete abrimos oficialmente o calendário de atividades da Rede durante este mês. Apresentamos um vídeo institucional falando sobre a importância da prevenção do câncer de mama e do colo de útero. Tivemos no último dia 19 a ‘Corrida Rosa’ na orla da Lagoa Maior. No dia 21 fizemos mais uma edição do ‘Espelho Mágico’, que foi um dia de valorização a vida dedicada à beleza, bem estar e entretenimento para as pacientes. E encerrando o calendário de ações, no próximo dia 27 teremos o ‘Chá Rosa’, ingresso R$ 50. Quero convidar a população para conhecer a Rede e também nos ajudar adquirindo os nossos produtos, artigos e artesanatos. Doações de bolos e tortas também são bem vindas”.
LR- O que mais a presidente da RFCC gostaria de acrescentar para a comunidade sobre esse trabalho em prol das pessoas que convivem com essa doença?
IB- “Aproveito para agradecer toda comunidade por essa confiança na Rede. Diariamente recebemos pessoas agradecendo a forma carinhosa com que foram tratados aqui. A Rede não cura ninguém com tratamentos médicos, nós apoiamos o paciente com assistência social e emocional. Pregamos a fé em Deus. Agradeço aos meios de comunicação pelos espaços cedidos para que possamos divulgar as nossas ações, agradeço aos Rotary, Maçonarias, Sindicato Rural e nossa comunidade que nos apoia. Se alguém quiser vir somar conosco estamos aqui para acolhê-los”.
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Três Lagoas é uma instituição formada por um grupo de voluntários que ao longo dos 37 anos de existência, vem executando um trabalho de qualidade pelo amor aos pacientes de câncer e sempre recebendo respaldo da comunidade. A instituição fica localizada na Rua Zuleide Perez Tabox, 150, Centro. Telefone: (67) 3522-9779.


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