Home Cidades Professor é executado após suposta cobrança e polícia detém sete suspeitos

Professor é executado após suposta cobrança e polícia detém sete suspeitos

10 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

Uma suposta cobrança de furto de novilhas terminou em assassinato e tentativa de homicídio durante a noite de segunda-feira (27) na zona rural de Birigui. O professor Marcos Antonio Jorge da Silva, de 46 anos, foi executado com três tiros à queima roupa. Já um engenheiro florestal, de 34, foi atingido por um tiro de raspão na cabeça e conseguiu fugir das mãos dos criminosos. Ao todo, sete pessoas, entre elas um adolescente de apenas 13 anos, foram detidas em flagrante.

Segundo informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, nos últimos meses, uma quadrilha especializada no furto de gado estaria atuando na zona rural de Birigui e Coroados. A Polícia Militar, por meio do programa ‘Vizinhança Solidária’, já monitorava algumas ações dos autores, mas ainda não havia nada de concreto em relação aos suspeitos.

Há cerca de dois meses, os criminosos furtaram as novilhas da propriedade rural do engenheiro florestal. Ele teria descoberto os responsáveis e foi até o sítio dos investigados para ‘cobrar’ o que havia ocorrido e tentar recuperar os  animais. Para tanto, ele chamou o professor, que estava armado com uma pistola quando foi localizado sem vida, para ajudá-lo.

Na chegada ao sítio, que fica em uma região conhecida como Baixotes, as vítimas foram surpreendidas pelos sete moradores da propriedade, seis deles estariam armados com espingardas e revólveres. Os envolvidos falavam, a todo o momento, que a dupla deveria morrer. Foi, nesse instante, que elas começaram a ser agredidas com coronhadas.

AMORDAÇADOS

Após as agressões, os dois homens foram amarrados com cordas e colocados na carroceria da caminhonete Chevrolet/S-10, pertencente ao engenheiro florestal. Em seguida, os bandidos dirigiram o veículo no sentido do córrego Baixotes. Enquanto isso, outra parte da quadrilha estava em um VW/Gol, que fazia cobertura logo atrás.

Em determinado momento, o engenheiro conseguiu se desamarrar, abriu a tampa da carroceria da caminhonete e pulou do veículo em movimento. Ele começou a escutar disparos de arma de fogo em sua direção e percebeu um ferimento de raspão na cabeça. Mesmo assim, o declarante conseguiu se esconder em meio a um canavial.

Alguns minutos depois, o engenheiro percebeu que a caminhonete parou. Foram ouvidos mais três disparos, provavelmente aqueles que mataram o professor.

CHEGADA DA POLÍCIA

Uma testemunha, que não quis se identificar, ligou para a Polícia Militar depois de ter cruzado com a caminhonete na estrada de terra e ter visto as vítimas amarradas na carroceria.

As primeiras equipes policiais a chegarem foram as da Rocam (Ronda Ostensiva com o Apoio de Motocicletas). O engenheiro, ainda escondido, pensou que eram os criminosos atrás dele, por isso, fugiu ainda mais, pelo matagal, até encontrar outro sítio e pedir ajuda. Ele permaneceu no imóvel até a chegada de outra equipe, que o interrogou e recebeu mais informações do que havia acontecido.

Na via de terra, os policiais se depararam com um Vectra com quatro ocupantes. Ao perceberem a aproximação da polícia, o motorista tentou engatar a marcha ré, mas não conseguiu fugir. Todos foram abordados e revistados, mas nada de ilícito foi localizado. Já em busca no interior do carro, os PMs encontraram uma corrente de ouro, pertencente ao engenheiro florestal, e um galão com cinco litros de gasolina.

Em um primeiro momento, os investigados negaram participação no crime, mas depois confessaram que tinham acabado de ir buscar o combustível para queimar a caminhonete.

Eles levaram a polícia até o local onde estava o veículo e lá chegando o corpo do professor foi encontrado já sem vida, com perfurações na nuca, no peito e no ombro. Ele carregava uma arma, calibre 635 na cintura, com nove munições intactas. O objeto foi apreendido pela perícia.

O SÍTIO

Os quatro primeiros abordados levaram os policiais até o sítio, a poucos metros dali. Lá, mais duas mulheres, além do adolescente, também foram abordados. Eles negaram participação, mas foram reconhecidos pelo engenheiro por meio de fotos. Um dos detidos era procurado pela Justiça por roubo e tinha um mandado de prisão em aberto.

Ainda na propriedade rural, as equipes policiais encontraram R$ 5.450,00 em notas falsas no cercado para criação de porcos e uma cápsula deflagrada de calibre 357 dentro de outro veículo. Os sete moradores foram detidos e apresentados na delegacia.

O delegado plantonista Marcel Basso manteve a prisão em flagrante dos quatro homens e das duas mulheres por homicídio, tentativa de homicídio e moeda falsa. Já o adolescente foi apreendido pelos atos infracionais. Na decisão, Basso levou em conta as evidências da participação de todos na execução dos crimes.

“Restou cristalino que agiram, todos eles, com relevância causal de suas condutas e com liame subjetivo entre os agentes, ou seja, para o desfecho criminoso exitoso. A contribuição de todos foi imprescindível, seja agredindo as vítimas, seja lhes amarrando, seja dando respaldo para o veículo que acompanhou a caminhonete da vítima, seja na execução do ato núcleo do tipo em si”.

A perícia técnica esteve em todos os locais e um laudo deverá ficar pronto em até 30 dias. A arma utilizada no assassinato do professor não foi localizada até o fechamento dessa edição. Já o engenheiro, apesar de ter sido baleado de raspão, não precisou de atendimento médico. A Polícia Civil abriu inquérito para dar andamento às investigações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Compartilhe esta notícia!