Passagem facilita locomoção de animais silvestres na zona norte da capital

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DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

O atropelamento de duas fêmeas de macaco-prego em uma avenida da zona norte de São Paulo, em 2018, nas proximidades do Parque Estadual Alberto Löfgren (Horto Florestal), motivou técnicos ambientais a criarem uma solução para evitar que acidentes como aquele ocorressem. Eles construíram uma nova passagem, a 12 metros de altura, para facilitar a locomoção de animais de um fragmento de mata para outro, na capital paulista.
A iniciativa partiu do coordenador técnico da Comissão do Verde e Meio Ambiente do Centro Médico da Polícia Militar, Fábio Ferrão. Com ajuda da bióloga da ViaFAUNA Consultoria Ambiental, Fernanda Abra, eles instalaram a Passagem Superior de Fauna (PSF-2) sobre a Avenida Santa Inês.
A PSF-2, construída em 2019, tem 27 metros de comprimento e foi fabricada com cordas e canos na própria residência do policial com a ajuda de seus familiares. A ViaFAUNA financiou a compra dos materiais para a construção da passagem que foi instalada acima da fiação pela distribuidora de energia Enel.
A passagem propicia que as duas áreas verdes dos limites da cidade, separadas por área urbana, sejam livremente visitadas pelos animais. Participaram também do processo, a Divisão de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal (IF), que viabilizou os encaminhamentos e o apoio logístico institucional, além do ecólogo e pesquisador científico do IF, Márcio Port.
“Esse corredor aéreo é mais uma importante ferramenta de preservação da fauna que habita a Zona Norte da capital paulista”, comentou o diretor-geral do IF, Luís Alberto Bucci.
A PSF-1 está instalada em outra localidade do parque desde 2015 e tem 186 metros de comprimento. É considerada uma das mais longas desse formato no mundo, ela permite o trânsito seguro, livre de atropelamentos e eletrocussões, de animais silvestres provenientes do Parque Estadual Alberto Löfgren, em direção aos atrativos existentes no fragmento de mata da Invernada do Barro Branco da Polícia Militar.
A passagem foi projetada e instalada também pelo policial Fábio Ferrão, com a ajuda da bióloga da Enel, Priscila Maciel, de profissionais da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, funcionários do IF e ajuda do comércio da região Itacácio, além do Grupo de Escoteiros e de estagiários universitários da FMU.
“Com envolvimento da população, instituições públicas e privadas conseguimos realizar a construção dessa passagem evitando o atropelamento, eletrocussão e isolamento de diversas espécies que vivem nos parques da zona norte da cidade de São Paulo”, explicou Ferrão.
As passagens são monitoradas por câmeras, que são ativadas por sensores de movimento. As imagens já registraram a passagem sagui (Callithrix sp.), bugio-ruivo (Alouatta clamitans), gambá-de-orelha-preta (didelphis aurita), ouriço-cacheiro (coendou spinosus), caxinguelê (guerlinguetus ingrami) e macaco-prego (sapajus sp.), demonstrando o sucesso da ação.


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