O pecuarista João Bertin, 96 anos, faleceu na manhã desta terça-feira (19), em sua residência, no centro de Sabino. João Bertin acompanhou de perto o crescimento empresarial dos filhos Henrique, Reinaldo, Natalino, João, Fernando e Silmar, que construíram um império a partir do Frigorífico Bertin, de Linsm, que chegou a ser um dos maiores exportadores de carne do país. O corpo de João Bertin será velado na próprio residência e o sepultamento está marcado para o período da manhã desta quarta-feira, no cemitério de Sabino.
Homem de hábitos simples, não participava dos negócios da família. Mesmo com o crescimento da empresa, fundada em 1977 pelo filho Henrique (morreu em 1981 em acidente aéreo), João Bertin mantinha a sua rotina. Em 2002, aproveitando-se da tranquilidade do pecuarista, que diariamente ía à Fazenda Santa Adélia, em Sabino, para buscar leite e distribuir aos amigos e famílias carentes, sequestradores o pegaram. Foi no dia 8 de setembro de 2002. Ele só foi libertado no início de fevereiro de 2003. Foram 155 dias no cativeiro, sendo um dos mais longos do país até hoje. Ele foi sequestrado pror um grupo criminoso especializado, responsável por pelo menos outros 15 sequestros.
Mesmo com o crescimento do grupo Bertin e o sequestro, “seo” João, como era conhecido, mantinha o jeito simples dos fazendeiros interioranos. Nas redes sociais, muita gente expressou tristeza por sua morte.
GRUPO BERTIN
O Frigorífico Bertin foi fundado em 1977, em Lins, por Henrique Bertin. O empresário faleceu em 1981 em acidente aéreo. Os cinco irmãos – Reinaldo, Natalino, João, Fernando e Silmar – implantaram o que até então era um modelo único no país, com o lema de aproveitar o máximo possível o que cada boi pode oferecer, agregando valor.
Até o final da década passada no mercado internacional ninguém faturava mais do que irmãos Bertin. Para o ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, o Bertin era o cartão-postal das exportações brasileiras de carne. Na época o Bertin tinha metade do tamanho do Friboi, com abate de 5 mil animais por dia e o faturamento era quase igual ao do concorrente, algo em torno de R$ 2,2 bilhões, sendo 65% da exportação. O grupo diversifiou os empreendimentos. Depois veio o negício com o Friboi, até hoje questionado.

