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quinta-feira, maio 19, 2022

Menina de um ano morreu com hemorragia, dilaceração no fígado e trauma; mãe e padrasto estão presos 

DA REDAÇÃO – PENÁPOLIS

Na tarde dessa segunda-feira, a delegada Thaísa da Silva Borges, titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Penápolis, concedeu entrevista à imprensa para falar sobre as investigações em relação à morte da bebê Mirella Fernanda Pereira das Neves, de apenas 1 ano e 3 meses, que deu entrada já morta no pronto socorro no dia 14 de fevereiro. A médica que a atendeu constatou marcas roxas e até mesmo sinais de violência sexual. Laudo do Instituto Médico Legal aponta que a menina teve hemorragia interna, trauma abdominal e dilaceração no fígado. Por isso, na sexta-feira (18) a justiça decretou a prisão temporária da mãe, de 21 anos, e do padrasto, de 26 anos. Os dois se apresentaram na Delegacia de Polícia de Araçatuba, com advogados, no sábado (19).

A mãe e o padrasto relataram que colocaram a menina para dormir no domingo à noite e foram acordá-la na segunda-feira por volta de 11h30. Percebendo o quadro da menina, acionaram o Corpo de Bombeiros e a menina foi levada para o pronto-socorro. A médica que a atendeu constatou o óbito e disse que o corpo apresentava rigidez cadavérica, o que revelava que a morte havia ocorrido há bastante tempo. Além disso, percebeu outros sinal, inclusive de violência sexual. A Polícia Militar foi acionada e foi registrado boletim de ocorrência.

A equipe da Delegacia de Defesa da Mulher, sob coordenação da delegada Thaísa da Silva Borges, assumiu as investigações. Diante do resultado do laudo do IML e de outros fatos apurados na investigação, foi solicitada a prisão temporária, decretada pela justiça.

 

ENTREVISTA

Na entrevista coletiva, a delegada disse que o laudo do IML  apontou que, dentre as causas da morte da menina, estão hemorragia interna, trauma abdominal e dilaceração no fígado. Segundo a delegada, as lesões teriam sido provocadas por um “instrumento contundente”. Isso mostra que a menina pode ter sido agredida. 

A delegada disse que, quando o casal foi ouvido pela primeira vez, ainda no dia em que a menina foi encontrada morta, a mãe relatou que a criança tinha sido encontrada no chão, provavelmente após cair de um berço que costumava ficar. Entretanto, mesmo com a queda, persistiu a suspeita de que a criança tenha sofrido algum tipo de agressão.

Além disso, como as lesões encontradas na criança não eram compatíveis com a alegação da mãe e do padrasto, que seriam em decorrência de um tratamento médico que realizava (anemia), foi pedido o mandado de prisão. “Neste primeiro momento, a Justiça negou o pedido quando, na sexta, de posse do laudo e da ficha de atendimento médico, formalizamos novamente, sendo concedido pela 2ª Vara local”, destacou.

A delegada disse que a equipe estava encontrando dificuldade para encontrar o casal.

 

ABUSO

Quanto ao abuso sexual, a delegada disse que |aguarda outro laudo, desta vez do IML de São Paulo. “Em decorrência da afirmação da médica que atendeu a criança no pronto-socorro, de que apresentava um alargamento da região anal, foi decidido colher materiais biológicos para uma análise mais detalhada. Não havia sangramento ou qualquer outro elemento que, de fato, indicasse o abuso”, observou.

O trabalho policial ainda está no começo. Nos próximos dias, a delegada vai ouvir a mãe, o padrasto e familiares, além de pessoas que possam servir de testemunhas, entre elas, a médica que fez o atendimento no PS e o legista do IML.

De acordo com a polícia, o caso é investigado como homicídio qualificado, feminicídio e violência doméstica, podendo ainda ser acrescentado o crime de estupro de vulnerável, dependendo do resultado do laudo. 

 

PROTESTO

No sábado, o pai biológico da menina e moradores de Promissão e de Penápolis fizeram um protesto clamando por justiça. O protesto foi em Penápolis, antes da mãe e do padrasto se entregarem à justiça. (Com informações de Ivan Ambrósio-Jornal Interior)

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