RECUPERAÇÃO - Giovanna ficou apenas 24 horas em observação no hospital ARQUIVO PESSOAL

Universitária de Lins viaja mais de 2 mil quilômetros para doar medula

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DA REDAÇÃO – LINS

O Fevereiro Laranja foi instituído no Estado de São Paulo por meio da Lei 17.207, de novembro de 2019. O mês é dedicado à conscientização para o diagnóstico precoce e tratamento da leucemia, destacando a importância da doação de medula óssea. Nesse contexto, a universitária Giovanna Venarusso Crosara, 24 anos, residente em Lins e que cursa psicologia no Unisalesiano, está vivendo um período diferente. No dia 25 de janeiro ela viajou a Recife para doar medula. Tudo começou em 2016 quando ela fez o cadastro de doadora em uma ação periódica do curso de Biomedicina das Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informou que medula óssea, encontrada no interior dos ossos, contém as células-tronco hematopoéticas que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou glóbulos vermelhos, os leucócitos ou glóbulos brancos que são parte do sistema de defesa do organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação.

Giovanna Venarusso Crosara relatou à área de comunicação da FIB que tudo começou em 15 de agosto de 2016, quando ela ficou sabendo sobre uma campanha de doação de sangue e de cadastro no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) promovida pelo curso de Biomedicina das Faculdades Integradas de Bauru (FIB). Periodicamente Hemonúcleo Regional de Jaú (unidade do Hospital Amaral Carvalho), convida alunos, professores e pessoas da comunidade a doarem sangue e se cadastrarem como doadores de medula.

No dia 16 de agosto de 2016 Giovanna deu início à história. Fez o cadastro e tornou-se oficialmente uma doadora de medula. Não sabia, que pouco mais de 4 anos depois estaria salvando uma vida.

O tempo passou e somente em outubro de 2020, representante do Redome procurou a jovem. Havia possibilidade de compatibilidade com um paciente.

A partir daí teve início uma série de procedimentos. “Foram feitas várias perguntas sobre meus dados, meu histórico familiar, minha saúde, sobre cirurgias anteriores, sobre como foi esse cadastro e quando foi, etc. Me informaram que eu precisava ir até um hemocentro pra tirar mais uma amostra de sangue pra confirmarem a compatibilidade. Eu fiquei feliz, extasiada, porque jamais imaginei vivenciar isso. Fiquei muito na expectativa.  Após essa ligação, fiz os procedimentos solicitados e me ligaram novamente no fim de dezembro pra informar que eu realmente era 100% compatível e me convidarem a fazer a doação.  As pessoas que me ligaram sempre perguntavam se eu queria prosseguir, e eu sempre quis, nunca pensei em desistir. Durante todo o processo fiquei muito animada e feliz por vivenciar tudo isso e torcia muito pela pessoa que estaria recebendo”, disse a jovem em entrevista à instituição de ensino.

Segundo Giovanna, muitas pessoas próximas vibraram e outras questionaram a sua decisão. “Mas entendo que era por falta de informação, porque depois que acompanharam de perto todo o processo, já mudaram sua forma de pensar”, acrescentou.

De acordo com Giovanna, em todos os contatos a equipe do Redome perguntava se ela gostaria de prosseguir e ainda tinha vontade de ser doadora e, até mesmo quando foi fazer os exames e conversar com o médico. “Mas eu nunca pensei em desistir da doação, com todos que eu conversava durante o processo eu sempre confirmava que realmente gostaria de seguir com a doação”, enfatizou a universitária linense.

Quanto ao receptor, ela disse que não sabe quem é. “Deixaram claro que nós só poderíamos nos conhecer após um ano meio da doação, se ambos quisessem”.

Após a confirmação e os exames preliminares, no dia 11 de janeiro a universitária e a mãe foram para Recife para os exames mais detalhados. Ela retornou para Lins. Voltou para Recife, com uma amiga, no dia 23 de janeiro embarquei. Já no dia 24 ela foi internada, pois no dia seguinte já seria feita a doação.

“Na manhã do dia 25, a equipe me orientou a me preparar e aguardar virem me buscar. Enquanto eu aguardava conversei com a anestesista sobre a melhor anestesia no meu caso. De início, seria utilizada a raquianestesia, mas devido a uma experiência ruim que tive com ela em outra cirurgia, foi resolvido utilizar a anestesia geral. Minha conversa com ela é a última coisa que me lembro, pois ela me deu um sedativo que agiu bem rápido. Minha única preocupação nesse processo todo era sentir alguma dor na hora da doação, mas depois disso só acordei na sala de recuperação então não vi nada”, disse Giovanna, que desenvolve trabalho acadêmico “A influência da maternidade para a mulher na migração da área profissional”.

O procedimento foi realizado através de punções no osso do quadril, com uma agulha de cada lado. Quando acordou, Giovanna disse que estava sonolenta. “Sentia o local do procedimento dolorido, o que já era esperado. Mas assim que informei à equipe eles me medicaram e a dor passou, e só assim eles me levaram de volta pro quarto. Quando acordei, foi como se um objetivo tivesse sido cumprido, já que as expectativas para esse momento já vinham de meses anteriores”.

A recuperação foi rápida. Depois da doação, o doador fica no hospital por 24 horas em observação. Ela teve alta após o almoço do dia 26. “Fiquei com a minha movimentação e locomoção limitada, porém o tempo todo tive assistência, principalmente nos aeroportos e nos voos de volta para casa, que ocorreram dois dias após a doação. A orientação do médico foi evitar fazer esforços e pegar peso nos dias após o procedimento e tomar reposição de ferro por 30 dias. Então tive auxílio em casa nos primeiros dias depois que retornei. Acho importante dizer que durante todo esse processo não senti nada insuportável ou que incomodasse muito, apenas desconfortos e algumas dores dentro do esperado conforme minha conversa com o médico”, acrescentou.

“Incrível. Eu pensava o tempo todo quem era a pessoa que recebeu minha medula, quem tinha feito eu ir até Recife e viver tudo isso…conversei com muitas pessoas e até postei nas minhas redes sociais um relato dessa experiência, pois se compartilhando ela eu conseguir fazer com que alguém se cadastre, já é mais esperança na vida de quem está na fila aguardando alguém compatível”, falou a universitária, na certeza de que seu ato não foi em vão e que além de contribuir para salvar uma vida, pode estimular outras pessoas.

“Quando bateu o nervoso na hora, ou quando eu sentia um pouco de dor, eu sempre pensava que a pessoa que estivesse recebendo a medula provavelmente teria passado por momentos muito mais complicados do que isso. Penso que me coloquei em risco maiores em outras situações da minha vida por tantos outros motivos…então porque não doaria? E então, porque não ser um doador?” Indagou

” medo é real, principalmente pela falta de informação. Ouvi comentários bizarros durante esse processo justamente por isso, mas há formas de solucionar as dúvidas. Como a doação de medula não é algo que se divulga detalhadamente, as pessoas podem ter algumas opiniões que às vezes não condizem com a realidade. Por isso, é importante que busquem informações confiáveis, como no site do Redome. Deixo aqui, para finalizar, palavras que o próprio médico me disse: ‘é um procedimento rápido,  seguro e pode ajudar muito no tratamento de quem está precisando’. Todas as despesas de viagem e hospedagem furam custeadas pelo Redome.

 

Seja um doador

Para o cadastramento, o doador deve apresentar um documento original de identidade e preencher um formulário com suas informações pessoais. Além disso, será necessária a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para testes de tipificação HLA – fundamental para a compatibilidade do transplante.

Estes dados serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e, em caso de identificação de compatibilidade com um paciente, o doador será contatado para realizar outros testes.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, para se tornar um doador de medula óssea é necessário:

– Ter entre 18 e 55 anos de idade;

– Estar em bom estado de saúde;

– Não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue (como infecção pelo HIV ou hepatite);

– Não apresentar história de doença neoplásica (câncer), hematológica ou autoimune (como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide).

 

LEUCEMIA

A leucemia é justamente uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), que passam a se reproduzir de forma e velocidade desordenadas, prejudicando suas funções de defender o organismo e produzir outras células sanguíneas. Geralmente é de origem não conhecida, mas em alguns casos relaciona-se com alterações genéticas.

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável. Essas são as células substituídas no transplante de medula. (Faculdades Integradas de Bauru).

 

 

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SONHO – Há pouco mais de um mês, Giovanna foi ao Recife para doar medula óssea

 

 

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