ARNON GOMES – ARAÇATUBA
Em um ano fortemente marcado pela crise econômica em decorrência da pandemia, um município da região colecionou estatísticas positivas: Lins. Os números referentes a 2020 mostram a cidade em situação muito à frente da média estadual na geração de empregos e em posição de destaque nas exportações no território paulista.
Conforme balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, divulgado no mês passado, no último ano, Lins criou 1.208 postos de trabalho com carteira assinada. O número é resultante da diferença de 8.101 admissões e 6.893 demissões ocorridas 12 meses. Enquanto a cidade de pouco mais de 77 mil habitantes registrou saldo positivo, o Estado terminou o ano negativo. São Paulo eliminou, ao longo de 2020, 1.159 empregos formais, consequência da contratação de 5.072.230 pessoas e dispensa de 5.073.389.
A situação é priveligiada também em relação às maiores cidades da área de cobertura do SRC (Sistema Regional de Comunicação). Araçatuba terminou o exercício anterior com saldo de 750 empregos criados. Birigui, por sua vez, amargou saldo de 97 empregos com registro em carteira a menos.
INDÚSTRIA
Destaque nacional na produção de carnes, o município viu sua a indústria ser, com folga, o principal gerador de oportunidades. Sozinho, o setor criou 930 vagas em 2020, montante, ligeiramente, superior aos demais segmentos. Na cidade, o ramo de serviços abriu, no último ano, 247 postos; construção, 42; e agropecuária, quatro. O comércio por sua vez, terminou o período com a redução de 15 empregos.
Especialista em economia local, o economista e professor universitário Marco Aurélio Barbosa aponta duas razões para a participação expressiva do setor industrial no resultado de Lins. O primeiro está no segmento de alimentação, que foi impulsionado pela JBS, frigorífico com participação significativa no PIB (Produto Interno Bruto) municipal e atuação no mercado internacional. No ano, a produção de alimentos foi responsável pela criação de 362 postos de trabalho. “Outro setor vinculado à indústria alimentícia, o de curtimento de couros e de calçados de couro, foi beneficiado pelo aumento no consumo de alimentos no mercado interno puxado pelo auxílio emergencial e outras medidas governamentais”, diz ele. “Mas essa indústria também foi puxada pelo aumento da demanda externa, em especial pela economia chinesa. Toda essa conjuntura foi fundamental para o excelente desempenho do mercado de trabalho de Lins durante o ano de 2020 mesmo em período de pandemia”, avalia o economista.
O segundo destaque é a fabricação de álcool, que teve um saldo positivo de 338 postos de trabalho.
COMPARAÇÃO
Com os dados de 2020, em um ano, a criação vagas de emprego aumentou 111,18% em Lins. Em 2019, o Caged apontou um saldo de 572 postos de trabalho com carteira assinada. Assim como no ano passado, a indústria de transformação foi a maior responsável pelo resultado. Naquele ano, o saldo das fábricas foi de 460 vagas.
China se consolida como principal comprador da carne fabricada em Lins
O ano passado consolidou a China como principal compradora de produtos fabricados em Lins. O país asiático comprou US$ 241 milhões do município em 2020. Desse total, US$ 208 milhões só de carnes; o restante, couro.
Números levantados pelo economista Marco Aurélio Barbosa e fornecidos à reportagem de O LIBERAL REGIONAL mostram que, no ano passado, as vendas para o exterior totalizaram US$ 712 milhões.
O principal produto da pauta exportadora do município ainda é carne bovina, além de congelados, totalizando US$ 282.651.136,00. Em seguida, vêm outras preparações e conservas de carne, miudezas ou sangue, chegando a US$ 259.966.513,00. Depois, os couros preparados após curtimenta ou depois da secagem e couros e peles, que acumularam US$ 52.992.830,00. Na quarta posição, aparecem os açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido, com US$ 45.688.375,00.
Para Barbosa essa participação do mercado de carnes na exportações explica o saldo de emprego. “São exportações elevadíssimas, uma das maiores do Interior Paulista”, observa o pesquisador.
OS CINCO MAIS
Os principais compradores de Lins em 2020:
China US$ 241.120.602
Estados Unidos US$ 160.543.673
Hong Kong US$ 62.855.836
Reino Unido US$ 42.997.080
Bélgica US$ 26.219.343
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

