Viva! Mais impostos sobre os bancos

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 Rodrigo Andolfato

É consenso nacional, talvez quase unanimidade, que o sistema bancário brasileiro é quem de fato manda em nosso país. Tanto assim que, independentemente de tempos de crescimento ou de crise, os bancos divulgam ano a ano lucros cada vez maiores em seus balanços.
De certa forma, todo cidadão brasileiro acredita que seria um ato de justiça aumentar impostos dos bancos para acudir a economia através deste ato. E mais ainda, todo cidadão brasileiro acredita que existe um modo de um governante dirigir a economia através de subsídios e taxações. Tanto isso é verdade que, até nosso presidente, o qual já se disse neófito em economia, resolveu mexer na cobrança de impostos num setor para poder baixar em outro. Estou falando da última ação do governo brasileiro no que tange a diminuição dos impostos nos combustíveis e de sua contrapartida, o aumento dos impostos para os bancos.
Para a gente entender de fato as consequências desse ato populista, devemos primeiramente ler a carta à sociedade, divulgada pela FEBRABAN, a Federação Brasileira de Bancos, que é o “sindicato” dos banqueiros, ou seja, existe para defender os bancos. Ao invés desta Federação vir a público com uma nota condenando tal aumento de impostos, essa instituição simplesmente veio a público se mostrando tranquila com esse aumento e se colocando com resiliência frente aos fatos.
Oras! Qualquer pessoa desinformada sobre economia iria pensar assim: “Nossa! Até os banqueiros estão se sacrificando para salvar o país e ajudar a diminuir o preço dos combustíveis.” Pois bem! Não sejamos ingênuos. Diz um amigo meu que trabalhou por anos no setor financeiro que: “O banqueiro mais bonzinho dá consultoria ao diabo.” Verdade seja dita que também não é desse jeito. Banqueiros, empresários, e todos que tem uma empresa, seja ela grande ou pequena, buscam sempre maximizar o lucro e diminuir as despesas, simples assim. Se você considerar os impostos como despesas, você estará diminuindo o Lucro Líquido final de uma empresa. Porém se você considerar os impostos como parte dos custos de produção, você estará apenas fazendo um papel de coletor de impostos para o governo.
“Espera aí Rodrigo! Você quer dizer, então, que empresas não pagam impostos?” Exatamente! Empresas são coletoras de impostos para o governo. “Ah! Rodrigo! Então o Estado poderia subir tanto quanto quisesse os impostos nas empresas e o empresariado não ficaria bravo. Por que então eles ficam?”.
Respondo: Isto acontece porque todo empresário sabe que ao repassar os impostos ao preço dos produtos, o preço fica mais salgado para o cliente. Com um preço mais salgado, a quantidade de clientes cai e o empresário vende menos.
“Oras bolas Rodrigo! E os bancos não sofrem a mesma consequência?”. Respondo: Não. A mercadoria que os bancos vendem chama-se dinheiro. E o preço do dinheiro é a taxa de juros. Deste modo, quando o governo federal aumenta a alíquota dos impostos para os bancos, estes começam a reajustar todas suas taxas e tarifas de forma que seus clientes pagarão tal aumento de custo. Deste modo, os bancos detém em suas mãos um produto que todos necessitam muito. E mais ainda, a quantidade de famílias, e empresas endividadas, no país está em numero recorde. Deste modo, um aumento nas taxas de juros logrará mais riqueza de seus clientes correntistas. Isto resultará numa situação ainda pior para todo o povo brasileiro. Devemos lembrar que o Brasil não foi um país que poupou para depois investir em seu parque fabril. A maioria das empresas tem que recorrer à alavancagem para começar suas operações. Ou seja, cada vez que se aumenta o preço do dinheiro, fica cada vez mais difícil uma empresa ser aberta no Brasil. As chances de se aumentar a empregabilidade se tornam cada vez menores.
Neste cenário que acabei de apresentar, teremos uma única consequência ao aumento de impostos no setor bancário, que será o aumento do preço do capital, tanto para as famílias se financiarem, como para as empresas continuarem suas operações. Consequência disso, muito menos clientes consumindo, uma vez que o dinheiro que sobraria no final do mês para as compras será deixado nos bancos para pagamento de dívidas. Com menos gente comprando e mais caro o capital de giro, mais quebradeira nas empresas, e mais gente desempregada.
Por fim, o que devemos entender é que a economia é um quebra-cabeça extremamente complexo, o qual a cada peça colocada mudam-se os encaixes das peças restantes. Entendido isso, o que o povo brasileiro deveria exigir é uma mudança na Constituição, para que qualquer governante que quisesse diminuir impostos, este o fizesse diminuindo todo o gasto da máquina pública e não rearranjando receitas transferindo impostos para outro setor. Só assim teríamos chances de salvar esse país.

Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste


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