20.4 C
Araçatuba
quinta-feira, maio 26, 2022

Verão chega mostrando sua cara

Ele tem nome de músico famoso e, a exemplo de seu homônimo, quer fazer fama. Não cantando, mas oferecendo a quem passa pela região central algo que, certamente, o araçatubense vai precisar consumir, e muito, nos próximos dias: água. Aos 66 anos de idade, o ambulante João Bosco começa a viver, a partir desta sexta-feira, o primeiro verão em Araçatuba. Após décadas morando em São Paulo, onde exercia o mesmo ofício nas ruas, há seis meses, este senhor resolveu mudar para a cidade do Noroeste Paulista, onde tem um filho estudante de engenharia.
“Sempre fui acostumado com o calor, mas com o calor da capital. Eu já sabia que aqui é muito quente. Agora, estou curioso para conhecer o verão em Araçatuba”, conta o vendedor que, em seu carrinho, vende sucos de laranja, abacaxi e abacaxi com hortelã, além de água de coco. O João Bosco das ruas do município pode contar, sim, com dias de sol forte, mas, também, já precisar procurar conhecer os locais onde deve se proteger.
A meteorologia diz que os primeiros dias da estação mais quente do ano terão outra característica peculiar: a chuva. De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), para esta sexta-feira, primeiro dia do verão, há possibilidades de pancadas de chuva e trovoadas isoladas durante a tarde. A temperatura mínima deve ficar em 23 graus e a máxima, 35. Já para o fim de semana, a previsão é de dias com o tempo encoberto. Porém, na segunda-feira, novas chuvas poderão cair em um dia, mais uma vez, encoberto.
Previsão semelhante ocorre em outras cidades da região. Em Andradina, por exemplo, também são esperadas pancadas de chuvas e trovoadas isoladas durante a tarde. O sábado deverá ser um dia com muitas nuvens, enquanto o domingo, encoberto com chuviscos. Já na segunda-feira, nova possibilidade de chuvas e trovões.
A combinação verão, fim de ano e férias mexe com todos. No comércio, juntamente com as expectativas de aumento nas vendas por causa do Natal, um setor que se prepara para vender bem é o de acessórios de banho. Afinal, com nova estação, muitas são as pessoas que decidem viajar para destinos com praia; quem fica na cidade, por outro lado, quer aproveitar as opções em parques aquáticos e clubes.
É pensando nesse público que o Sesi (Serviço Social da Indústria) em Araçatuba incluiu seu balneário com três piscinas, na unidade localizada no Jardim Presidente, dentro do projeto Super Férias em Família. O programa consiste em oferecer às crianças uma férias divertida, com atividades recreativas, de esporte, cultura e lazer. Para participar, os pais ou responsáveis devem comparecer na unidade do Sesi e preencher a ficha de inscrição autorizando a participação e efetuar o pagamento. A ação é bianual e ocorre sempre em janeiro e julho.

Professor espera chuvas bem distribuídas no campo

As expectativas de chuvas são bem-vindas para o campo. Segundo professor Fernando Tangerino, do Laboratório de Hidráulica e Irrigação da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Ilha Solteira, assim, “a agricultura fica sem restrição hídrica”. Analisa ele: “Na prática, não é isso o que tem acontecido. A irregularidade das chuvas, tanto no volume quanto na questão geográfica, tem sido uma grande preocupação para todos que labutam na agropecuária”.
Por isso, diz o docente, manter a estabilidade climática é o grande desafio, por exigir compreensão do problema, planejamento, decisão e recursos financeiros.
De acordo com ele, nos últimos 30 anos, a região tem vivido longos períodos do que chama de “déficit hídrico”, ou seja, sem chuva. “Temos municípios que chegaram a ficar 165 dias sem chuva”, cita. “Temos quebra de safra de cana na região da ordem de 12 a 15% médio. E, no entanto, se pegar o volume de chuvas acumuladas, têm-se índices históricos.”
O professor dá o plantio de soja como exemplo dos prejuízos da falta de chuvas.
“Os equipamentos de irrigação são ligados, mas o que se espera é um plantio de soja sem irrigação, só com a chuva. Isso implica aumento de custos de produção, mas, ao final da safra, cairia o volume que atenderia a demanda, se for, efetivamente, bem distribuída. Outros exemplos: os cultivos de feijão e milho no meio do ano foram com irrigação”, destaca. “Então, se tocar a lavoura toda com sistema de irrigação, ao final, a conta vem.” Situação semelhante acontece na pecuária, com a colocação de sistemas de irrigação para os animais não morrerem de pneumonia.
Dessa forma, ele acredita ser necessário para que “São Pedro traga a água de forma bem distribuída”.

ARNON GOMES
ARAÇATUBA

Ultimas Noticias