EM ADVERSÁRIOS - Haroldo Alves Pio conseguiu reeleição sem ter oponentes

Taxa de reeleição de prefeitos na região fica em 55%, abaixo da registrada no Brasil

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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Em 2020, completaram-se 20 anos da primeira eleição municipal na qual prefeitos, em pleno exercício do cargo, passaram a ter o direito de tentar um segundo mandato. Nos primeiros pleitos com essa permissão, parecia “batata”. Na ligeira maioria dos casos, o governante conseguia a reeleição. A disputa eleitoral deste ano, porém, mostrou que, simplesmente, ter a máquina pública nas mãos não garante mais quatro anos de governo a quem está no poder.

Levantamento feito por O LIBERAL REGIONAL revela que, no pleito realizado no último dia 15, a taxa de reeleição na Região de Araçatuba, mais Lins, Promissão e Três Lagoas (MS), municípios da área de cobertura do SRC (Sistema Regional de Comunicação), foi de 55%. De 29 prefeitos que concorreram a um novo mandato, 16 alcançaram o sucesso nas urnas. Treze candidatos à reeleição, no entanto, não repetiram o desempenho de quatro anos antes.

Houve reeleição de prefeitos nos seguintes municípios: Araçatuba, Avanhandava, Bilac, Buritama, Coroados, Gabriel Monteiro, Glicério, Guararapes, Ilha Solteira, Itapura, Mirandópolis, Pereira Barreto, Santópolis do Aguapeí, Turiúba, Promissão e Três Lagoas.

Por outro lado, os prefeitos não conseguiram conquistar o novo mandato nas seguintes cidades: Auriflama, Barbosa, Birigui, Braúna, Gastão Vidigal, Guaraçaí, Lavínia, Lourdes, Luiziânia, Murutinga do Sul, Nova Independência, Nova Luzitânia e São João de Iracema.

Esse índice é inferior ao observado no restante do Brasil – segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no primeiro turno ficou em 62,9%, resultante da reeleição de mais de 1,6 mil governantes. O dado regional fica abaixo também do percentual de prefeitos reeleitos nas capitais no segundo turno. De 13 que concorriam a reeleição, apenas três perderam.

PECULIARIDADES

Em várias das cidades da região onde os prefeitos tentavam chegar a um novo governo a partir do próximo ano, o resultado das urnas revelou algumas surpresas.

Entre os derrotados, estão os atuais prefeitos de Braúna (Flávio Giussani – PV), Lourdes (Gisele Tonchis – DEM) e Nova Luzitânia (Laerte Rocha – PSDB).

Para observadores da política regional, a derrota desses três era pouco provável. Flávio e Gisele tinham atuações em diversas causas regionais, inclusive, liderando movimentos. A derrota de ambos, por outro lado, representou a volta de antigos políticos ao poder nessas cidades. Flávio será substituído por Heitor Verdu (MDB), que já governou a cidade por dois mandatos, entre 2005 e 2012, e era o segundo candidato a prefeito mais velho de toda a região neste ano. Ele tem 76 anos, sendo superado apenas pelo araçatubense Domingos Andorfato, com 80. Já Gisele perdeu para o também ex-prefeito Odécio Rodrigues (PSDB), a única candidatura masculina dentre os três nomes que concorriam ao Executivo na cidade.

Laerte, por sua vez, é o coordenador regional do PSDB, partido que venceu a disputa por 17 prefeituras na região, tornando-a um solo fértil de apoio para uma eventual candidatura a presidente do governador tucano João Doria em 2022. Estando como prefeito, Laerte tentava ainda chegar ao seu quarto mandato no governo daquela pequena cidade.

Outra derrota tucana na tentativa de continuar no poder aconteceu em Nova Independência. Na eleição deste ano, a prefeita Thauana Duarte (PSDB) foi superada pelo candidato do PTB, Fernando Macchi Santana, o Fernandinho. A derrota dela representou a interrompida de um ciclo de 20 anos de sua família no poder. Antes dela, a cidade foi governada por seu sogro e sua sogra, o casal Valdemir e Neusa Joanini, ambos também do PSDB.

TAREFA DIFÍCIL

Dentre as maiores cidades da região, a única onde o prefeito não conseguiu a reeleição foi Birigui. Apesar de aparecer na liderança de pesquisas de intenções de votos antes do pleito, Cristiano Salmeirão (PTB) perdeu para o empresário Leandro Maffeis (PSL) que, em sua campanha, explorou, ao máximo, a imagem do presidente Jair Bolsonaro, eleito pelo seu partido há dois anos.

A derrota de Salmeirão comprovou ainda que se reeleger em Birigui não é tarefa das mais fáceis. Desde o advento da reeleição, apenas o ex-prefeito Wilson Borini conseguiu o feito, em 2012. Outros ex-prefeitos – José Roberto dos Santos, já falecido, e Florival Cervelati – tentaram em 2000 e 2004, respectivamente, também sem sucesso. Em 2016, o então prefeito Pedro Bernabé não concorreu ao segundo mandato.

 

 

Onde houve reeleição, a confirmação de tendências

Se, em Birigui, o eleitor é mais resistente à reeleição, o mesmo não se pode dizer em Araçatuba. Em duas décadas, apenas a então prefeita Germínia Venturolli, em 2000, foi derrotada. A vitória do atual mandatário, Dilador Borges (PSDB), no último dia 15, representou a terceira reeleição de um prefeito na maior cidade da região. O feito também foi alcançado por Cido Sério e Jorge Maluly Netto, já falecido, nos anos de 2012 e 2004, respectivamente.

Em Ilha Solteira, a reeleição do prefeito Otávio Gomes (PSDB) garantiu mais quatro anos de poder para a sua família. Antes dele, seu pai, o ex-deputado Edson Gomes, e sua mãe, Odília Giantomassi Gomes, já haviam sido prefeitos.

A tradição foi mantida também em Guararapes. Reeleito neste ano, Tarek Dargham (PTB) iniciará a sua quinta gestão em 2021. Tornou-se, assim, o maior detentor de mandatos à frente de um poder Executivo na região.

Já em Mirandópolis, a reeleição foi sinônimo de estabilidade. Após trocar de prefeito três vezes nos últimos quatro anos, a cidade reelegeu Everton Sodário (PSL), vencedor da eleição extra ocorrida no ano passado em virtude da cassação da então prefeita Regina Mustáfa (PV) e do vice José Antônio Rodrigues (SDD).

SEM ADVERSÁRIOS

Em outras duas cidades da região, Bilac e Santópolis do Aguapeí, a reeleição foi garantida pelos prefeitos sem qualquer disputa. Em Bilac, Vitor Botini (PSDB), e em Santópolis do Aguapeí, Haroldo Alves Pio, mantiveram-se no poder sem adversários.

ESTABILIDADE – Após trocar de prefeito três vezes nos últimos quatro anos, Mirandópolis reelegeu Sodário

 

 

DERROTA – Flávio Giussani estava envolvido em várias causas regionais, mas perdeu reeleição

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