Home Cidades Araçatuba Sindicato do comércio pode recorrer à Justiça para varejistas voltarem ao trabalho

Sindicato do comércio pode recorrer à Justiça para varejistas voltarem ao trabalho

9 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

O Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Araçatuba) reuniu membros de sua diretoria na última segunda-feira (27) e começou a analisar a possibilidade de ingressar na Justiça nos próximos dias com mandados de segurança contra decretos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e do prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), que impõe restrições à abertura do comércio.

Presidente do Sincomércio em Araçatuba e vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Gener Silva disse à reportagem de O Liberal Regional que a busca por medidas judiciais para a reabertura de estabelecimentos varejistas se deve à crise enfrentada pelas empresas do setor, que estão na grande maioria de portas fechadas por conta da pandemia de coronavírus que afeta o país, e também pela aproximação do Dia das Mães.

 

A data, para comerciantes de todo o país, é considerada como a segunda de maior venda, sendo superada apenas pelo Natal. Por conta disso, Gener diz que a Federação do Comércio calcula que, somente na semana que antecede o dia 10 de maio, quando as mães serão homenageadas este ano, o setor varejista no Estado acumule um prejuízo da ordem de R$ 3,7 bilhões.

 

“Estamos atravessando uma crise econômica e social, além da política. Mas essa da saúde pública é gravíssima. Trouxe prejuízos altamente consideráveis na questão das vendas. Existe uma proibição, até com uma fiscalização rigorosa, de se vender nas lojas de varejo, exceto aquelas que as atividades comerciais já foram liberadas”, diz o representante do sindicato patronal.

 

Ele demonstra preocupação com a situação. “Eu acredito que vai haver um prejuízo muito grande o comércio e as vendas vão ficar muito aquém do estimado em comparação com o ano passado. Eu recebi dados da Federação do Comércio, da qual sou um dos  vice-presidentes, que está estabelecido um prejuízo, devido a este controle e a não comercialização no varejo, de R$ 3,7 bilhões. Isso na semana do Dia das Mães”, afirma. “Evidentemente, isso tudo refletindo no Estado de São Paulo”.

 

Gener diz que os comerciantes varejistas, de todos os tamanhos, estão visualizando “nuvens negras” na atual circunstância, uma vez que o período poderia estar sendo atravessado com otimismo pela categoria se não fosse a pandemia e o isolamento social por ela imposto aos municípios.

 

“Infelizmente, o comércio não vai reagir de maneira apropriada porque está sendo impedido a isso por força de lei”, diz. “Fizemos aqui ontem (segunda-feira) uma reunião da diretoria executiva do sindicato, que representa constitucionalmente as empresas de maneira geral, nos seus vários tamanhos, e estamos estudando a possibilidade de impetrar mandados de segurança para que os comerciantes possam agir livremente e trabalhar tomando todos os cuidados. Os mesmos que os supermercados, por exemplo, que aglomeram muito mais pessoas que as lojas de pequeno e micro varejo”, afirma Gener.

 

SEM CHANCE

 

Em Araçatuba, as medidas de flexibilização do comércio, adotadas pela administração municipal seguem quase que integralmente as regras impostas pelo governo do Estado, por meio de decreto publicado pelo governador João Doria e cuja validade vai até o dia 10 de maio, exatamente o Dia das Mães.

 

Na última semana, a Prefeitura chegou a autorizar a abertura de serviços considerados essenciais à população, como salões de cabeleireiro; barbearias; manicures; lojas de produtos ortopédicos; escritórios de contabilidade ou advocacia; imobiliárias, e estabelecimentos que trabalham com recebimentos de contas por meio de carnês, assim como revendedoras de peças e acessórios para automóveis, motocicletas e bicicletas.

 

No entanto, as medidas não contemplam lojas do setor comercial varejista, o que obriga, por exemplo, a maioria das lojas do Calçadão da rua Marechal Deodoro a permanecerem fechadas até a definição de novas regras.

 

Nos últimos dias, o prefeito Dilador Borges chegou a negar reunião com representantes de academias da cidade que cobram a reabertura de seus estabelecimentos, com a adoção de medidas que possam evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Após repercussão negativa, ele acabou recebendo um grupo pequeno de representantes do setor para expor seus motivos para manter tal atividade fechada.

 

Quem também ouviu um sonoro “não” do chefe do Executivo foram os integrantes do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Araçatuba que se reuniram na segunda-feira com Dilador e que também não conseguiram convencer o prefeito a permitir que suas atividades voltem a atender clientes também mediante adoção de normas de segurança


Compartilhe esta notícia!