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Sequenciamento do genoma pode ajudar na prevenção, diz geneticista de Araçatuba

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ARNON GOMES – Araçatuba

Mestre em Genética pela UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), o professor Diego Finati, de Araçatuba, avalia que a descoberta do código genético do coronavírus, feito por cientistas brasileiras e divulgado no começo deste mês, será um importante passo para a prevenção à doença. Finati, de 26 anos, que dá aulas de Química e Biologia em colégios particulares da cidade, afirma que o sequenciamento pode ainda ajudar a entender melhor o covid 19. Leia a entrevista.

Como o sequenciamento do genoma do coronavírus pode contribuir no esclarecimento da doença?
Por se tratar de um vírus relativamente ‘novo’, o sequenciamento do seu genoma pode ajudar a entendê-lo melhor, tanto no nosso país, como também em uma perspectiva mundial. Ao falarmos sobre o desenvolvimento de vacinas e drogas para tratamento, é fundamental saber qual é a real diversidade do patógeno (do causador dessa enfermidade). Por exemplo, o HIV sofre mutações no seu genoma muito facilmente, o que dificulta não somente o desenvolvimento de uma vacina (outros fatores também estão envolvidos na dificuldade em produzir uma vacina para o HIV) mas também a drogas eficientes. É comum, pessoas com doenças virais desenvolverem “resistência” ao medicamento. Isso ocorre não porque o paciente ficou resistente, mas sim o vírus! Portanto, saber como o coronavirus se comporta em nível gnômico pode ajudar a desenvolver drogas eficientes. Além disso, através do genoma dos vírus é possível saber qual a rota de transmissão (por exemplo, se os vírus que chegaram aqui são provenientes da China, da Itália, da Alemanha) pois após um vírus entrar numa determinada população, ele vai acumulando mutações, e aos poucos vai diferindo da população a qual ele saiu. Então, comparando vírus de populações diferentes, podemos traçar sua rota de dispersão.

No que diz respeito à prevenção, quais avanços pode significar?
O conhecimento do genoma do Covid-19 possibilita o desenvolvimento de vacinas e medicamentos que possam ser utilizados na prevenção e no tratamento desse vírus. Além disso, possibilita conhecer as rotas de transmissão desse vírus.

O Coronavírus se tornou um problema de escala mundial, mas é possível falar que condições geográficas favorecem a proliferação do vírus?
De forma geral, os vírus que causam doenças respiratórias se transmitem mais eficientemente no inverno, ou em regiões de clima frio. As aglomerações e maior possibilidade de contágio nessa época do ano, sem dúvida, favorecem a disseminação desses agentes. Não existem, ainda, dados específicos em relação a esse vírus em climas tropicais.

A sequência analisada no Brasil apresenta diferenças em relação ao genoma identificado em Wuhan, o epicentro da epidemia na China?
Sim, algumas, sendo, portanto, confirmado que o vírus não veio direto de lá para cá, mas sim, de países da Europa, que mostram sequencias genômicas mais semelhantes aos vírus daqui. Um deles era mais semelhante a vírus amostrados na Alemanha, e outro, na Inglaterra.

 


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