Sair às ruas já não funciona mais

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Rodrigo Andolfato

Começo este artigo tentando explanar um pouco sobre como a repetição de algo o torna cotidiano e sem impacto efetivo. Tentarei explicar como os políticos que se aterrorizaram no passado, hoje simplesmente assistem tais aglomerações com um sorriso jocoso na boca. Em 2015 fui um dos que se somaram a multidão de indignados com toda corrupção que envolvia o país. Saí pedindo a cabeça da Dilma e de todos envolvidos na operação Lava-Jato. Sentia que aquela postura, aparentemente intrépida e revolucionária, era uma arma efetiva e de poder ilimitado que permitia ao povo exercer seu pátrio poder moderador. Ledo engano meu. “Ah lá! Lá vem o Rodrigo jogando desânimo no povo! Parece até que ele virou a casaca!” – Pois bem meus amigos, leiam este texto até o final para entender os fatos de verdade. Como postei essa semana, ninguém é mais odiado do que aquele que fala as verdades! E também postei que “Tigres e Leões podem ser mais forte que Lobos, mas você nunca viu esses últimos trabalharem em circos!”. O fato é o seguinte: A quem estamos beneficiando com essas manifestações? Quem de fato está temeroso com tais atos? Comecemos respondendo está última pergunta para sabermos se de fato ela é efetiva.
Em 2015, quando todo povo brasileiro saiu às ruas, o movimento “FORA PT” foi algo que tinha nuances de revolução. E revolução não é bem o que políticos brasileiros estão acostumados e isso os deixa apavorados. Quando Ulysses Guimarães disse que: “a única coisa que põe medo em políticos é o povo na rua”, faltou ele complementar com a palavra “bravo”, após a palavra “povo”. Escrevo isso, pois em 2015, cenas com o povo em cima do Congresso Nacional foi algo que apavorou os congressistas da época. Passado 2015, muitos políticos que conheciam a escola “Luisa Erundina” de autopromoção e que utilizaram desse expediente para se promover, se arvorando de serem representantes da mudança, se elegeram. Aqui em Araçatuba teve um que subia em trios elétricos e acusava vereadores de complacência indecente com o poder executivo, chamava-os de CAMBADA, mas que depois de eleito foi o retrato da própria acusação.
O fato é que muitos políticos que participaram dos movimentos de rua se elegeram, e se tornaram parte do sistema. Pior que isso, os velhos políticos que se mantiveram no poder, aprenderam que o povo até late, mas não morde. Oras. Alguns até percebendo isso tudo, mesmo fazendo parte do sistema, sobem nos trios e fazem um estardalhaço só. Chega a ser cômico para os olhos mais apurados. E aqui chegamos ao ponto nefrálgico do texto. A quem beneficia os atos ditos democráticos atualmente.
Vou responder de forma indireta e tentando fazer com que o leitor ligue os pontos. Vou tomar de exemplo um vereador jovem, eleito pela primeira vez como uma mudança, e reeleito como representante de grupos da sociedade civil, que esteve em cima do trio elétrico neste primeiro de maio. Vamos aos fatos. Passou o último mandato em grande parte sendo subserviente ao prefeito. É apoiado pelo Reinaldo Alguz do Partido Verde. Esse seu apoiador votou a favor do “pacote de maldades” do Dória para aumentar impostos. Mesmo assim ele subiu no trio para protestar contra o governador esquecendo-se de protestar contra seu líder. Desde o início dessa legislatura tem tomado um papel um pouquinho mais combativo ao prefeito tornando-se uma opção para substituí-lo na prefeitura em 2024. Tornou-se opção maquiavélica dentro da estratégia do Socialismo Fabiano, que brinca com a cara do povo, trocando seis por meia dúzia a cada período. Resumindo? As manifestações, recheadas de gente honesta e verdadeira, têm sido palanque de políticos Brasil afora, que dizem da boca pra fora apoiar o presidente Bolsonaro, mas que de fato rezam a cartilha dos governadores inimigos.
Não me entendam mal. Não quis aqui tratar da moral e da ética de um vereador, mas simplesmente expor os fatos, com exemplo local, de fácil entendimento. Principalmente porque ele é a figura mais cabível dentro da estratégia de manutenção do “status quo” do grupo que manda em Araçatuba há muito tempo. Mas não foi para atacar ninguém que resolvi escrever esse artigo, e sim para colocar na cara da população o que de fato deve ser feito. Se de fato quiserem a mudança. Se essa for a vontade verdadeira do povo, a palavra “bravo” deve ser a questão de ordem. O povo precisa participar sim dessas manifestações, mas para isso ele precisa ser informado sobre algumas questões, tais quais: Quem estará falando em cima dos trios elétricos? Serão pessoas que querem de fato a mudança ou que só querem usar do evento como trampolim político? Vamos ficar passeando pelas cidades ou vamos de fato para frente das prefeituras que representam o descontentamento local e imediato? Vamos ficar atacando políticos de longe, fingindo que não existem políticos daqui mesmo com culpa?
A resposta é evidente. O povo não é bobo. Só vai começar a participar quando os movimentos forem se tornar um ato de mudança verdadeira e não uma ato de marketing que já não mete mais medo nos políticos e estão se tornando motivo de desdém para eles.

Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste


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