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    By jornalistacrispim11 de abril de 2023Nenhum comentário4 Mins Read
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    CINTHYA NUNES

     

                Para a tradição Cristã, dentro dos meus parcos conhecimentos sobre o assunto, Páscoa é tempo de renascimento, de reinício. De origem hebraica, a palavra Páscoa (Pessach) significa passagem. Em termos festivos, no Brasil, é tempo das pessoas se reunirem em família ou entre amigos, aproveitando o descanso do feriado para confraternizações e alimentos especialmente preparados para a data, conforme as tradições religiosas, familiares e culturais de cada grupo.

    A vida em sociedade é formada por uma teia muito complexa, ainda não desvendada por completo. Aliás, suspeito, nem minimamente. Fato é que por mais que eu leia e estude sobre o assunto, não consigo entender o que leva as pessoas a cometer barbaridades, a praticar crueldades contra animais, contra outros seres humanos, especialmente contra crianças.

    Quando vi a notícia sobre um filhote de onça pintada amarrado junto aos corpos decapitados de sua mãe e irmão, uma parte de mim se despediu da esperança de um mundo melhor. Ao saber, dias depois, que um mentecapto entrou em uma creche de Blumenau, no sul do país, armado de uma machadinha, ferindo mortalmente quatro crianças indefesas, de idades entre 4 e 7 anos, fiquei devastada e com um imenso sentimento de revolta se apossando de mim.

    Difícil, assim, por ora, escrever sobre amenidades, sobre deleites infantis (e adultos) do chocolate comercializado em ovos de custo astronômico ou de qualquer outra coisa. Simplesmente não dá. Sinto muito e tanto e ao me imaginar no lugar dos familiares das vítimas, só encontro dor e perplexidade. Uma escuridão que não vislumbra a luz.

    O que leva um rapaz de 25 anos a cometer uma monstruosidade como essa? Sequer vou mencionar o nome dele porque em muitos casos essas pessoas querem notoriedade, como se isso fosse digno de algum mérito e eu me recuso a conferir a ele qualquer incentivo ou plateia. Imagino ainda o pavor que tomou o local, o trauma dos sobreviventes e tudo me parece um absurdo sem igual.

    Ao mesmo tempo, tive notícias de ameaças parecidas em outras escolas do Brasil. Parece-me, ouso supor, que algum movimento maligno vem tomando espaço coletivamente, talvez em redes sociais proscritas, capitaneado por algum cretino sádico, seguido por outros dementes, que se julgam especiais por serem capazes de atrocidades como essas. Para os outros todos, como dormir em paz sabendo que a escola passa a ser um local de abate, um circo onde palhaços bizarros, sem graça, creem protagonizar um espetáculo?

    Muitas vezes eu acredito mesmo que o mal existe de forma concreta, personificada em seres humanos destituídos de utilidade, de empatia, de compaixão. A história está repleta de casos, psicopatas que parecem pertencer a outra espécie. E eu, julgue-me quem quiser, enquadro nessa mesma categoria de maldade pessoas que são capazes de maltratar animais, sobretudo por pura e gratuita crueldade.

    Sei que muitas outras crianças padecem, anonimamente, todos os dias, vítimas não raras vezes daqueles que as deviam proteger. Só penso que não se trata de uma competição sobre qual mal e é pior ou qual luto é mais dorido. Inegável é que a nossa sociedade padece, está adoecida de muitas formas. O homem nunca deixou de ser o lobo do homem, mas talvez o que assuste seja que agora o Lobo Mau quer pegar as criancinhas para se sentir o tal. Que Deus nos ajude e que possamos renascer, imbuídos do espírito da passagem, da transformação que se faz urgente.

    Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e está de luto pela inocência das crianças e dos animais – cinthyanvs@gmail.com/ www.escriturices.com.br

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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