ARNON GOMES ARAÇATUBA
A região de Araçatuba criou quase dois mil postos de trabalho com carteira assinada em abril deste ano. De acordo com os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, divulgados ontem, somente no quarto mês de 2018, foram gerados 1.835 empregos formais. O número é decorrente de 7.033 admissões e 5.198 desligamentos feitos durante trinta dias.
O setor que mais contribuiu para o bom desempenho foi o da indústria de transformação, com destaque para a produção de alimentos, bebidas e álcool etílico, que, entre outros tipos de fábricas, engloba os frigoríficos de Andradina. Sozinho, este sub-setor criou 965 vagas. Ou seja, 52,5% do total de oportunidades.
O bom desempenho desse segmento na região no mês passado já havia sido destaque também na pesquisa sobre o emprego na indústria divulgada no começo da semana pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em parceria com o Ciesp (Centro Integrado das Indústrias do Estado de São Paulo).
A agropecuária, um dos setores mais tradicionais da economia regional, fechou o período com 229 postos criados, enquanto a indústria de calçados, carro-chefe de Birigui, abriu 78 oportunidades de trabalho.
Maior cidade da região, Araçatuba fechou o mês anterior com saldo de 51 empregos criados, número bem abaixo do que o de municípios menos populosos, como Birigui (173), Penápolis (167), Valparaíso (108) e Guararapes (72).
COMPARATIVO
Com os dados divulgados ontem, a região de Araçatuba encerrou o primeiro quadrimestre deste ano com variação positiva em todos os meses na pesquisa do Caged. O número, no entanto, é 41% inferior ao volume de empregos criados nos 43 municípios em março. Naquele mês, que registrou o melhor saldo de 2018 até este momento, foram criados 3.113 empregos. Em janeiro, foram 707 e, em fevereiro, 1.349.
A quantidade de vagas criadas em abril é também 14,2% menor do que a registrada no mesmo mês do ano passado, que terminou com 2.139. Por outro lado, supera a totalizada no quarto mês de 2016, quando o Brasil ainda sofria os efeitos da recessão econômica. Em abril daquele ano, a nona região administrativa do Estado gerou 1.160 vagas.
NACIONAL
Em nível nacional, os números do Caged também foram satisfatórios. Em todo o Brasill, foram criados 115.898 novos postos de trabalho. Assim como na região de Araçatuba, o saldo de empregos ficou positivo pelo quarto mês consecutivo e chega ao final do primeiro quadrimestre de 2018 com 336.855 empregos criados.
A pesquisa mostra a importância do Estado de São Paulo nesse resultado. No mês passado, ao todo, o território paulista criou 44.426 oportunidades para os trabalhadores, o equivalente a 38,3% do volume aberto no País.
“Com o otimismo e com a certeza de que o Brasil saiu da recessão e vai caminhar é que digo, vamos em frente”, disse o presidente Michel Temer, ontem, na cerimônia de encerramento do Fórum da Exame e Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.
Os dados do Caged foram divulgados pelo Ministério do Trabalho poucos minutos após o discurso de Temer e detalham que o resultado de abril é resultante de 1.305.225 admissões e 1.189.327 desligamentos. O melhor desempenho foi do setor de serviços, que abriu 64.237 vagas, 0,38% a mais do que em março. A segunda melhor performance de abril ficou por conta da indústria de transformação, que abriu 24.108 postos.
Ainda em seu discurso, Temer disse que é necessário “confiar no que está acontecendo no Brasil” e apontou que os dados do Caged são um sinal de que o país está saindo da recessão. (Com informações da Agência Brasil)
SAÍDA DA RECESSÃO
A sucessão de resultados positivos no Caged indica a saída da recessão. A avaliação é do economista e professor universitário Marco Aurélio Barbosa, de Birigui.
Ele analisa que o País passou por um período de recessão de 2015 até o começo de 2017. Mas, com o crescimento de 1% do PIB (Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas produzidas no País) registrado no ano passado, o cenário, aos poucos vai se invertendo, na opinião do economista.
“Então, esse crescimento da economia vai gerar um reflexo nos postos de trabalho de todos os setores”, afirma.
Ele vê com bons olhos os números do Caged referentes ao primeiro quadrimestre considerando, ainda, o fato de 2018 ser um ano eleitoral, o que, geralmente, traz implicações na economia por causa das incertezas do cenário político. Por isso, finaliza ele, a expectativa é de que, até o fim do ano, os dados fechem de forma positiva.

