Reeducandos do CR transformam recintos do Zoo de Araçatuba

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O Zoológico Municipal Dr. Flávio Leite Ribeiro está com novas atrações, especialmente para os bichos que vivem no local. A administração do Zoo, nos últimos meses, remanejou espécies que estavam em recintos antigos para recintos reformados e adaptados para cada uma delas, deixando o local diferente para quem vê e mais agradável para os animais. A ambientação dos espaços foi feita por reeducandos do Centro de Ressocialização de Araçatuba (CR) e o resultado tem sido comemorado pela equipe do Zoo e do CR.

O trabalho é feito por meio de uma parceria do CR com a Prefeitura de Araçatuba em que 60 presos do regime semiaberto prestam serviços para setores municipais como Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Obras (SOSP). Eles fazem a limpeza de praças, canteiros, avenidas, cemitérios e do Bosque Municipal, onde está o Zoo.

Para o diretor do CR, José Antônio Rodrigues Filho, o serviço executado nos recintos dos animais merece ser visto por toda a comunidade. “O preso está trabalhando, inserido na sociedade. Ele passa o dia em liberdade aqui, faz um trabalho muito bem executado e volta para o Centro de Ressocialização. A sociedade pode vir olhar essa realidade, não é fantasia, é um trabalho que nos dá orgulho”, ressalta.

MODIFICAÇÕES

Os espaços que passaram pela transformação são os recintos onde antigamente estavam os leões e as onças e que ficaram desativados após a construção das novas alas. Os dois primeiros recintos estão em fase de adaptação para receber as araras vermelhas e as arara-canindé, que hoje estão em jaulas tipo alambrado. Todo o material utilizado é fornecido pela Secretaria de Meio Ambiente e a mão de obra é de reeducandos. Para as araras eles estão construindo casas, ninhos, comedouros e poleiros.

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Inaugurado em abril, o novo espaço dos macacos-prego oferece mais possibilidades para os animais, com diversos balanços, passarelas e escadas. Antes eles ficavam em um recinto velho na área central do bosque. Também com casa nova está a macaco-aranha Mila, animal que se tornou o xodó dos reeducandos que estão trabalhando nas ambientações dos recintos. “Os macacos brincam bastante, então eles aproveitam as coisas que foram feitas pelos amigos do CR. As pessoas notam que os animais ficam mais felizes quando são estimulados”, explica a bióloga.

O cachorro do mato foi transferido em junho para seu novo recinto, que hoje conta com passarela, casa, áreas cobertas e proteção para as plantas internas do espaço. A bióloga do Zoo, Fernanda Andrade Bueno, explica que esse animal não possui hábito de brincar. “Ele gosta de andar, então a ambientação é voltada para isso”, diz. No mesmo mês também foi feita a transferência de um macaco bugio de três anos, chamado de Léo, que até então estava em uma jaula da quarentena. Para ele foram feitos diversos brinquedos, escadas, balanços com mangueiras de bombeiro inutilizadas e abrigos.

A diferença para o bem estar do animal é total. Com os brinquedos eles se entretêm e ficam mais à vontade, simulando um pouco o que seria o ambiente natural, já que não é possível retorná-los para a natureza. Esses animais são oriundos de diversas situações, alguns chegam machucados, então nós fazemos essas melhorias para tentar dar a eles o máximo de bem estar”, explica Fernanda.

RESULTADOS

O CR está atualmente com 235 presos e comemorou no dia 11 de setembro 16 anos de existência em Araçatuba. Filho, que atua há 13 anos na unidade, destaca os resultados que estão sendo obtidos. “Desde 2014 temos 100% de retorno das saídas temporárias; são 15 saidinhas sem evasão e zero de reincidência”, enfatiza. “Dentro do nosso CR há muito mais respeito, organização e disciplina que em alguns bairros da cidade. Lá dentro não tem tido conflito e nosso trabalho é humano, acima de tudo, e com muita transparência. Independentemente do preso, são todos tratados com respeito, dignidade e damos valor a eles e ao trabalho que realizam”, diz o diretor.

Para ele a parceria com a Prefeitura é uma oportunidade única de reintegração à sociedade e retorno ao mercado de trabalho, uma vez que dá oportunidade de capacitação profissional, além de ganhar o próprio salário. Como o CR está dentro da cidade os presos vão e voltam do Zoológico a pé. “Não há conflito entre eles e a sociedade, entre eles e servidores municipais. Eles são conscientes do dever deles e cumprem sua pena com dignidade”, diz Filho.

Para o diretor, o principal objetivo desta parceria é preparar o reeducando para que ele tenha consciência da sua culpa e aproveite esta oportunidade para retornar à sociedade com uma mentalidade diferente. “É um momento de reflexão que está sendo útil tanto para o município, que é servido por um lado, quanto para o reeducando, que aprende do outro, e a sociedade toda sai ganhando. Esse trabalho com eles é um relacionamento de respeito, pois eles se sentem úteis para a população e querem continuar trabalhando”, afirma.

FERNANDO VERGA – Araçatuba


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