CUSTO - Jafet Lourenço pagava R$ 600 de energia e a conta caiu para R$ 100

Questões climáticas e alta na conta de luz impulsionam crescimento da energia fotovoltaica

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Por causa da crise hídrica e dos consecutivos aumentos da conta de luz (cerca de 25% neste ano), cresceu a procura por uma forma de energia sustentável e mais barata: a energia solar. A produção de energia elétrica das usinas fotovoltaicas conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 46,6% na primeira quinzena de outubro, para 1.132 megawatts médios (MWmed), ante 772 MWmed no mesmo período de 2020. Os dados são do boletim da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
O consumidor comum, residencial, está no topo da lista dos geradores da própria energia, representando 80% do total, de acordo com informações da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Segundo a associação, o Brasil tem mais de 520 mil casas com sistemas de geração de energia solar fotovoltaica. “E esse número não para de crescer, porque está cada vez mais fácil e mais em conta instalar as placas solares, em contraponto com a tarifa de energia convencional, que está na bandeira vermelha desde junho e cada vez mais cara”, explica o empresário do setor fotovoltaico Francis Polo.
De janeiro a agosto, a conta ficou em média 16% mais cara no país. No acumulado de 12 meses, o aumento passou de 20%. O Governo Federal, inclusive, reconheceu o agravamento da crise hídrica no país, considerada a pior em 91 anos.

Economia de 90%
Receoso com os sucessivos aumentos dos custos da energia elétrica, o eletrotécnico Jafet Lourenço, de Araçatuba (SP), decidiu investir na fonte solar. Ele instalou na sua casa 12 módulos de 340 watts, mais um inversor de 3 KW, e viu o resultado logo no mês seguinte à instalação. “Eu gastava em torno de R$ 680,00 por mês. Hoje, a conta de luz fica, em média, em R$ 100,00”, explica Lourenço.
A energia gerada pelo sistema supera a necessidade da residência. O crédito da produção excedente será compartilhada com outro imóvel do eletrotécnico. “Estou muito satisfeito, pois são muitas as vantagens e benefícios da energia fotovoltaica. Além da economia, que é significativa, o imóvel é valorizado, além das questões ambientais, pois trata-se de uma fonte limpa e renovável”, destaca Lourenço.

Presente em todo o Brasil
Conforme a CCEE, a geração de todas as fontes somou 66.584 MW na quinzena, representando uma redução de 5,6% em relação ao mesmo período em 2020. O cálculo considera o montante de energia elétrica importada de 792,9MW médios na primeira quinzena de outubro. Desde o início deste ano, foram mais de R$ 35,6 bilhões em novos investimentos, que geraram mais 210 mil empregos acumulados no período, espalhados ao redor de todas as regiões do Brasil.
Entretanto, dos mais de 88 milhões de consumidores de energia elétrica do País, apenas 0,8% já faz uso do sol para produzir eletricidade, limpa, renovável e competitiva, afirma a Absolar. “Mesmo tendo avançado nos últimos anos, o nosso país continua atrasado no uso da geração de energia solar, em sua maioria por muitos acreditarem que o sistema é caro ou só ser interessante para grandes empresas, o que não é verdade. O sistema fotovoltaico é ideal para todos os tipos de construções, tanto comercial quanto residencial e industrial”, acrescenta Polo.

CPO-26
O presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, afirma que o sol deve se tornar a principal fonte energética em diversos países nos próximos 30 anos, inclusive no Brasil. Mas para isso é preciso acelerar o ritmo atual dos projetos, que deixam muito a desejar, avalia. Ele vê na COP-26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), realizada neste mês em Glasgow, Escócia, uma oportunidade de divulgar os avanços na energia solar feitos no País.
Sauaia apresentou na conferência o que considera casos de sucesso, como os leilões de energia do governo. Eles garantiram o crescimento da fonte em 1.500% desde 2012. Assim, o país, este ano, atingiu 11 mil megawatts (MW) de potência instalada. É a mesma capacidade da usina de Belo Monte (PA).
“Eventos como a COP-26 são de extrema importância para a questão da sustentabilidade, pois fazem com o que todo o mundo volte os olhos e tenha mais clareza para a importância das fontes limpas e renováveis de energia. No caso da (energia) fotovoltaica, é fácil notar que são diversas as vantagens sobre quase todas as outras fontes. E especificamente no caso do Brasil, o potencial de crescimento é imenso, dada a significativa irradiação solar em praticamente todo o território nacional. Eu diria que estamos com a ‘faca e o queijo nas mãos’ e temos que aproveitar essa oportunidade de nos tornarmos definitivamente sustentáveis do ponto de vista energético”, finaliza Polo.

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