RECUPERAÇÃO - Tamanduá Bandeira se recupera após resgate da PM Ambiental

Queimadas aumentam número de animais silvestres em perigo na região de Araçatuba

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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Os incêndios em áreas de pastagem e à margem das rodovias que vêm sendo registrados dia a dia em Araçatuba e cidades da região, além de prejudicar a flora, com a queimada de áreas de preservação ambiental e de plantação de cana-de-açúcar, também causam preocupação para a flora local.

 

De acordo com o CRAS Associação Mata Ciliar da Unesp de Araçatuba, Centro de Reabilitação que cuida de animais silvestres encontrados em situação de vulnerabilidade, em parceria com o curso de medicina veterinária da Unesp, no período mais seco de 2020, registrado no segundo semestre, houve um aumento de cerca 200% no número de atendimentos de animais feridos, em comparação ao primeiro semestre do mesmo ano.

 

Além de Araçatuba, há unidades do CRAS Associação Mata Ciliar nos municípios de Vargem, Pedreira e Jundiaí. Os dados correspondem aos atendimentos feitos nos quatro espaços. 

 

Na primeira quinzena de agosto deste ano, por exemplo, um tamanduá-bandeira foi resgatado pela Polícia Ambiental em Buritama e levado até o local para atendimento após ter sido vítima de atropelamento. A suspeita é de que o animal estava fugindo de um incêndio que ocorria próximo ao local.

 

O animal precisou passar por cirurgia após ser constatada uma fratura no fêmur e atualmente encontra-se em recuperação, bem como outros animais silvestres também. 

 

Na Associação em Araçatuba, no momento, estão sendo atendidos, além desse tamanduá, animais como cachorro-do-mato, gato-do-mato, tucanos, macacos, além de outros bichos. Na semana passada, uma onça encontrada em Penápolis, que também estava fugindo de um incêndio, teve que sofrer eutanásia, já que não poderia mais andar após fratura na coluna. 

 

De acordo com a veterinária Isabella Amaral, que atua na Associação em Araçatuba, a maior parte dos atendimentos acontecem nesta época do ano, quando o calor e a baixa umidade do ar aumentam e muitos animais fogem das matas e acabam sendo atropelados nas rodovias.

 

“Principalmente animais atropelados e alguns órfãos que não costumam chegar em outros períodos do ano. Por exemplo, agosto, setembro e outubro, é crescente o nosso número de chegadas de tamanduás. Ano passado a gente recebeu quatro animais queimados com mais de 50% do corpo e é muito comum chegarem animais atropelados, além de órfãos de outras espécies”, afirmou a veterinária. 

 

Crimes ambientais

 

Segundo a Polícia Ambiental, que na maior parte das vezes atua no resgate destes animais silvestres, os incêndios, quase sempre provocados por ações criminosas ou inconsequentes dos seres humanos, acabam provocando prejuízos.

 

Além de atingir áreas de pastagem, canaviais, com o tempo seco e a temperatura alta, o fogo tem condições de se alastrar rapidamente, tornando-se incontrolável e atingindo áreas de matas, beiras de rios e áreas de preservação permanente, causando prejuízos à fauna silvestre e o deslocamento destes animais até mais próximos da rodovia. A Polícia Ambiental orienta para que se evite o lançamento de bitucas de cigarro e a soltura de balões nesta época do ano. 

 

De acordo com a lei 9.605/98, que trata sobre os crimes ambientais, provocar incêndio em mata ou floresta pode causar uma pena de dois a quatro anos de reclusão, além de multa, por ser considerado crime contra a flora. de acordo com o artigo 41 da lei.

 

Caso o fogo provocado venha causar danos, ou até mesmo a morte de um animal silvestre, há um agravante de pena no artigo 29 da lei de crimes ambientais de seis meses a um ano de detenção para o responsável, além de nova aplicação de multa. 

 

 

ABRIGO – Tucano é um dos animais prejudicados por queimadas
ÓRFÃO – Filhote de gato-do-mato órfão resgatado após fugir de incêndio

 


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