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Araçatuba
quinta-feira, agosto 18, 2022

Produtores de soja da região já perderam mais de R$ 80 milhões

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

A Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo concluiu esta semana o levantamento da expectativa de produção de soja na safra 2018/2019. Segundo o engenheiro agrônomo Jorge Luiz Hipólito, do Núcleo de Sementes da Coordenadoria de Assistência Integral (Cati), a perda é da ordem de 40%, o que representa 1,2 milhão de sacas a menos. Isso, em preços atuais, representa mais de R$ 80 milhões de prejuízo. O número é muito expressivo, porque hoje a soja tem importância econômica, ficando atrás apenas da cana-de-açúcar, pecuária de corte e pecuária leiteira. Hipólito atribui a quebra da safra à estiagem e altas temperaturas.
Segundo Jorge Hipólito, nas regiões de Araçatuba, Andradina e General Salgado foram cultivados 53 mil hectares. Só na área de Araçatuba, que abrange 18 municípios, foram 40 mil hectares. Na região, a produtividade média é de 57 a 60 sacas por hectare. Com a quebra na produção, a produtividade chega a 35 sacas por hectare. “Isso não cobre o custo da produção”, disse Jorge Hipólito, frisando que a situação é mais preocupante porque o produtor veio de uma safrinha de milho com baixa produtividade e preços ruins.
“Agora, o agricultor entra na safra de verão, que é a cultura madrinha, que é onde ele alavanca o seu caixa e ele não vai conseguir fazer renda. Além disso, as perspectivas para a safrinha não são boas. Dados de pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas, mostram que as perspectivas não são boas, pois março e abril serão de pouca chuva e até o momento, maio não tem previsão de chuva. Assim, não teremos para o futuro, uma boa notícia para o produtor”, disse Jorge Hipólito, frisando que os agricultores devem rever o planejamento da safrinha, tomar cuidado com o grau de investimento, “pois pode ter uma surpresa”.
Agricultor diz que produção não cobre o custo da lavoura
O produtor Alan Moisés Fadil, que este ano está com 850 hectares cultivados com soja, disse que a produção não está cobrindo o custo. Em anos anteriores, a sua produtividade média é de 50 sacas por hectare. Este ano, devido à estiagem, a produção é de apenas 30 sacas. Segundo Fadil, para cobrir o custo da produção é necessária produtividade de 85 sacas por alqueire. Até agora, com pouco mais de 30% da lavoura colhida, está atingindo 65 a 70 sacas por alqueire. Ou seja, a produção não está pagando a produção. O prejuízo é de aproximadamente 20%.
De acordo com Ala Fadil, a área plantada vem aumentando nos últimos cinco anos (desde 2014). Porém, diante do prejuízo registrado este ano, ele admite rever o planejamento para o próximo ano, não descartando reduzir a área plantada.
O agricultor Alan Fadil também é cultiva cana. A situação não é muito diferente. Ele tem 400 hectares de cana cultivados. No ano passado a quebra na safra, por questões climáticas, foi de 20%. Este ano já chega a 30%. “Nas lavouras de primeiro, segundo e terceiros cortes ainda é possível empatar. Já nas lavouras de quarto e quintos cortes, tem prejuízo”, finalizou o agricultor. (AC)

Alan Fadyl Prejuízo Soja.JPGPREJUÍZO – Alan Fadil admite reduzir a área plantada devido ao prejuízo na atual safra

Pouca chuva a altas temperaturas comprometem a produção agrícola
O engenheiro agrônomo Jorge Hipólito disse que a estiagem e as altas temperaturas comprometeram outras lavouras e até mesmo pastagens. Isso pode refletir, em pouco tempo, no preço da carne, assim como de diversos alimentos, como o feijão e a batata, cujos preços dispararam para o consumidor.
Segundo Jorge Hipólito, no período de outubro de 2017 a fevereiro de 2018, choveu 1.198 milímetros em Araçatuba. Já no período de outubro de 2018 a fevereiro de 2019, choveu apenas 513,4 milímetros, redução da ordem de 57%. “Além do problema da estiagem, tivemos também elevação das temperaturas médias em aproximadamente 5 graus”, disse Hipólito.
A média mínima entre outubro de 2017 e fevereiro de 2018 foi de 18 a 19 graus. Já entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019, foi de 24 graus. A média máxima no ano anterior foi de 30 graus e chegou a 34 graus agora. Com temperatura mais elevada, as plantas precisam de água. Sem chuva, cai a produção.
Conforme foi apurado pela reportagem junto a técnicos, profissionais da área e produtores, geralmente a vagem da soja tem três grãos e não raro, quatro. Este ano a maioria das vagens tem dois grãos e bem menor do que em período normal. Isso reflete no peso e produtividade. (AC)

Prejuízo Roça Lavoura Soja (9).JPGPRODUTIVIDADE – Maioria das vagens tem apenas dois grãos de soja, mostrando a queda na produção

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