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Araçatuba
segunda-feira, maio 16, 2022

PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEL FAZ EMPREGO NAS INDÚSTRIAS DA REGIÃO DESPENCAR

A vilã foi justamente uma das áreas que mais emprega na região de Araçatuba: a de produção de combustíveis. Pesquisa sobre o nível de emprego industrial divulgada ontem pela Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) mostra que o segmento de coque, petróleo e biocombustíveis registrou queda de 11% na geração de empregos em junho. O desempenho negativo do setor, considerado um dos carros-chefe da economia, contribuiu para que, no mês passado, a indústria regional terminasse com queda de aproximadamente 900 postos de trabalho – variação de -1,90% em relação a maio nos 34 municípios pesquisados, apontou o estudo.
O levantamento mostra ainda a contribuição de outros três segmentos para o resultado ruim nas fábricas da região durante o sexto mês de 2018: produtos alimentícios (-1,55%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-0,27%) e artefatos de couro, calçados e artigos para viagem (-1,14%). Segundo o estudo, apenas dois setores registraram variação positiva no período: confecção de artigos do vestuário e acessórios (3,03%) e móveis (1,19%).

DUAS CONSTATAÇÕES
A pesquisa divulgada nessa terça-feira permite ainda duas constatações.
Uma delas é a de que o mês passado foi o pior junho para a geração de empregos na manufatura regional nos últimos 12 anos. Até então, esta condição era relegada a junho de 2007, com -1,76%. Os números recentes superaram, inclusive, junho de 2016, quando os efeitos da recessão foram mais sentidos. Na ocasião, a variação ficou em -1,42%.
A segunda é de que o maior volume de demissões frente ao de admissões interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de variação positiva na abertura de postos de trabalho nas linhas de produção. Março, abril e maio fecharam com 1,54%, 0,78% e 1,02%, respectivamente. Fora a melhor sequência registrada desde junho de 2016. No mês anterior, por exemplo, a região de Araçatuba chegou a superar a média estadual.
Apesar da queda brusca observada no último mês, em 2018, a Fiesp/Ciesp resgistra um acumulado 1,16%, o que representa aumento de 550 postos de trabalho. Entretanto, nos últimos 12 meses, esse percentual é de -7,46%, representando uma diminuição próxima de 3.850 vagas.

RAZÕES
Procurado por O LIBERAL REGIONAL para comentar a pesquisa, o diretor regional do Ciesp, Samir Nakad, classificou como “complicada” a conjuntura vivida pelas usinas produtoras de álcool. “Houve várias demissões no setor. Uma delas, em Brejo Alegre, praticamente parou”, analisou o dirigente. Já em relação à produção calçadista, outro segmento forte na região, Nakad destacou que o momento é de transição – da fabricação da coleção inverno para verão. “Nesse período, ocorre uma redução natural nas indústrias de calçado”, destacou.
Questionado pela reportagem se a greve dos caminhoneiros, iniciada em maio e que ainda causou reflexos no começo de junho, ajudou o mês passado a terminar com o resultado ruim, o diretor do Ciesp avaliou: “De fato, houve um freio na produção, adiantou algo de ruim que estava por vir”. Mesmo assim, Nakad se mostra otimista com os próximos meses. “Daqui até o final do ano, a tendência é melhorar, embora nada de forma absurda. Mas alguns sinais de melhora nas condições da economia já são perceptíveis”, finalizou.

O pior mês

O gráfico abaixo mostra os resultados comparativos da região de
Araçatuba dos meses de junho nos anos de 2006 a 2018.

grafico

MÉDIA REGIONAL FOI PIOR DO QUE A REGISTRADA EM TODO O ESTADO

O percentual da região de Araçatuba no mês que fechou o primeiro semestre foi pior que o registrado no Estado de São Paulo. Em média, a indústria paulista obteve queda de 0,53% frente a maio, consequência do encerramento de 11,5 mil postos de trabalho. Entretanto, como na região, o saldo anual segue positivo, com 17 mil vagas (0,79)
No fechamento do primeiro semestre, o saldo ainda segue positivo, com 17 mil vagas (+0,79%). Apesar de, no território paulista, os meses de junho, desde 2011, apresentarem saldo negativo, o presidente em exercício da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, destacou que esta queda foi a pior do período recente. “Esse junho foi pior, em termos de empregabilidade para a indústria paulista, do que o mês de junho do ano passado. Algumas variáveis políticas e econômicas estão influenciando fortemente alguns setores importantes, como o alimentício, por exemplo, que sofreu uma forte perda de postos de trabalho”, avaliou Roriz, em nota divulgada pela entidade.
Para reverter esse cenário negativo, Roriz observa que é preciso corrigir uma série de problemas que tiram a possibilidade de recuperação das empresas. “É preciso buscar alternativas de mercado como uma saída. Aproveitar esse câmbio para exportar mais. As empresas precisam buscar mais inovação. É importante saber que a situação é difícil e que a recuperação vai demorar. Com essa grande paralisação de maio e junho, decorrente da greve dos caminhoneiros, é preciso buscar alternativas para que as empresas possam operar com rentabilidade e voltar a gerar emprego. Além disso, as companhias precisam de mais ofertas e acesso às linhas de crédito para que recuperem seu capital de giro e voltem a investir”, completa.

ARNON GOMES
Araçatuba

 

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