OPÇÃO - Consumidores têm buscado mais os ovos para fugir do alto preço das carnes

Preço de ovos na região é o terceiro mais caro do estado; consumidor final deve sentir nova alta

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A vida do consumidor que adotou a estratégia de substituição das proteínas contidas nas carnes bovinas, suínas e de aves por conta do preço, também não está tendo vida fácil. Importante fonte de proteínas e presente em muitas dietas, o ovo comum de galinha também sofre com a alto dos preços.
A justificativa de produtores é exatamente a mesma para a alta nas carnes. Com a inflação e o aumento do dólar, o preço da ração utilizada para a engorda dos animais criados em granjas também subiu, encarecendo os custos da produção.
Atualmente, o estado de São Paulo é o principal produtor de ovos do Brasil. Um terço dos ovos consumidos no país saem do território paulista. Nesta semana, o preço do produto no atacado bateu recorde de alta. Na região, foi registrado o terceiro preço mais caro de todo o estado.
Um levantamento feito pelo Cepea, que é o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da USP, aponta um crescimento nos preços puxado pelos custos da ração e por uma alta na demanda, já que muitos consumidores estão procurando mais ovos nos supermercados e feiras livres devido à alta das carnes.
Nos municípios de Guararapes e Mirandópolis, onde há grande produção de ovos, o preço atingido foi o terceiro mais caro do estado, no último dia 13 de outubro. A caixa do ovo branco com 30 dúzias chegou ao patamar de venda de R$ 128,24. Este preço só fica abaixo da Grande São Paulo, que vende a R$ 134,01 e da região de Campinas, com preço de R$ 129,36.
De acordo com especialistas, a alta no preço no atacado deve afetar o preço do produto nos supermercados nos próximos dias.

25%
No meio de tantos aumentos em outros produtos como carnes, arroz, feijão, dentre outros, talvez o passe despercebido pelo consumidor o aumento também no preço dos ovos, porém, a realidade aponta para um crescimento de mais de 25% no preço em um período de seis meses.
Este aumento registrado neste período ainda não está impactado pela alta do produto no atacado, o que pode aumentar esse patamar para os próximos dias e semanas.
A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL fez uma rápida pesquisa em estabelecimentos da cidade e constatou este aumento para o consumidor final. Uma determinada marca vendia sua dúzia de ovos por R$ 4,69 no mês de abril. Neste sábado (15), o mesmo produto com a mesma quantidade, estava sendo comercializado no mesmo estabelecimento a R$ 5,89. Um aumento de 25,5% no preço do produto.
De acordo com o Cepea, o aumento de preço em Araçatuba foi maior do que o registrado em todo o Brasil, que foi de 16% em 12 meses até setembro. Segundo Juliana Ferraz, analista do Cepea, os preços da nova alta no atacado devem chegar aos consumidores.
“A tendência é fazer esses repasses. E, apesar de ter sido uma alta nominal, como a renda está fragilizada, qualquer aumento já é sentido pelo consumidor”, analisou.
Ela ainda analisa que o motivo pelo qual os ovos estão mais caros deve continuar. Segundo Juliana, os preços pagos ao produtor devem se manter elevados. A única expectativa é de baixa é nos últimos dias de cada mês.
Segundo ela, para os revendedores, os últimos dias do mês são os melhores para compra do produto, que tem uma baixa para que não haja acúmulo de estoque, com isso podem ser oferecidos preços melhores ao consumidor final.

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