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Araçatuba
domingo, agosto 7, 2022

Por ser mulher

FERNANDA COLLI

Você que ainda não concorda que mesmo estando no século 21, quase nada avançamos quanto à igualdade de gênero: Quantas mulheres você conhece que já sofreu algum tipo de abuso? Quantos homens abusadores? O que um homem com filhos precisa para arrumar um emprego? E uma mulher?
São esses tipos de indagações que a hipocrisia teima em abafar. Percebe que todo mundo tem uma amiga ou conhece alguma mulher que sofreu algum tipo de abuso, mas ninguém conhece ou tem um amigo abusador? São questões tão recorrentes na sociedade e que realmente a conta não bate.
Enquanto um homem com filhos para trabalhar precisa apenas de um emprego, uma mulher com filhos precisa de um emprego, uma pessoa para cuidar de seus filhos, organizar horário de escola e serviço, estar sempre pronta para sair do emprego para socorrer qualquer necessidade do filho, muitas vezes assumir uma casa considerando que o “pai” escolheu não assumir a paternidade.
Será mesmo que as oportunidades são iguais para todo mundo? Quando você apoia o direito das mulheres, mas não liga de sua mãe ser submissa ao seu pai ou aceita que seu marido te obrigue a dobrar jornadas e cuidar dos afazeres da casa sozinha, você está sendo hipócrita. Quando você passa pano para o colega que faz piadas machista e se gaba de quantas mulheres “pegou”, você está sendo hipócrita. Quando você acha normal dispensarem uma mãe de seu serviço porque ela teve que sair mais cedo para socorrer o filho com febre, você está sendo hipócrita.
Por sermos mulheres carregamos um universo nas costas e a sociedade se arma apenas de boas frases e costumes ultraconservadores que nada se importam com as mulheres, mas apenas com os padrões da “boa família.
É preciso rever nosso olhar e termos mais sororidade com cada mulher. Não é nada fácil você correr o risco de a qualquer momento entrar para uma estatística trágica de abuso, quando já não a integra, mas não tem coragem de falar. Quantas mulheres não sofrem caladas simplesmente por não terem apoio.
Não, não precisamos mais de palavras bonitas nem de eventos de solidariedade, precisamos de ajuda, a começar pela mudança brusca atitudinal dos homens. Para você mãe que tem filhos, não ache bonitinho ele não colaborar com os afazeres da casa e “passar o rodo” na escola; comece a ensinar que o respeito tem que estar acima de tudo e que mulheres e homens são tão responsáveis pela casa quanto pelos filhos. A maior arma para a mudança é a educação. Que as gerações futuras mudem de atitude, acabem de vez com a hipocrisia e oportunizem ao menos equidade de sobrevivência para as mulheres.
Que a vida não continue mais difícil por ser mulher…

Fernanda Colli pedagoga, psicopedagoga, Arte Educadora, presidente do Conselho Municipal de Cultura

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