PONTO DE VISTA

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ABRIGAR, QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE

“Nós estamos aqui por vocês, fiquem em casa por nós”.

Paulo Augusto Leite Motooka

Por meio do chamamento acima – praticamente um pedido – profissionais de várias categorias profissionais, dentre estas, médicos, enfermeiros, policiais, garis, motoristas do transporte público, da alimentação, do saneamento e outros, lançaram há dias uma campanha de conscientização com o objetivo de despertar a atenção coletiva sobre a importância da prevenção contra o contágio do covid19.

Basicamente, a mensagem alerta as pessoas para observarem o distanciamento social, uma vez que com algumas atitudes e esforços individuais, muito pode ser feito para, inicialmente, não pegar e nem transmitir a virose, mas também externar respeito, consideração e solidariedade aos mais vulneráveis, aos profissionais que trabalham no sistema de saúde, e a todos que estão na linha de frente do atendimento público.

Foi ainda intento destes profissionais sensibilizar as pessoas para não saírem de suas casas, não irem às ruas, não promoverem reuniões, festas, cultos religiosos, rodas de conversa, atividade físicas coletivas ou qualquer tipo de agrupamento com duas ou mais pessoas, mas tão somente permanecer em família, e somente nos casos de efetiva necessidade ‘sair e retornar’, tão logo cessem os motivos.

Sabe-se que espontânea ou obrigatoriamente, não é da natureza humana vivenciar um isolamento social sem um mínimo de sofrimento, pois muitas rotinas, hábitos e costumes são alterados e cerceados, e por isto uma queixa de natureza psicoemocional possivelmente causará um outro adoecimento. Afinal, o ser humano necessita da interação com outras pessoas para compartilhar experiências e sentimentos.

No momento, muitas conquistas, expectativas e compromissos estão em jogo, a exemplo do emprego, dos estudos, da subsistência, da religiosidade, do lazer, das viagens, da saúde, mas, especialmente da própria Vida, bem maior e geradora de energia para tudo e para todos. Por isso, qualquer empenho é muitíssimo válido e significativo.

No Japão este fenômeno é reconhecido por hikikomori (estar confinado) e refere-se a uma síndrome que acomete jovens e adultos, dos 14 aos 25 anos, os quais se isolam em suas casas. Apesar de os motivos serem distintos o isolamento social decorre de um sentimento em comum, que consiste em uma interação ameaçadora e agressiva com o mundo. De fato, é um comportamento de defesa e autoproteção.

Importante observar que apesar de todo o desconforto que isso possa causar às pessoas, caso não ocorra, a quantidade de infectados poderá aumentar muito rapidamente e de forma desenfreada, o que provocará o colapso do sistema hospitalar e não haverá leitos e recursos para socorrer todas as pessoas adoecidas, resultando em mais mortes e sofrimentos, dentre outras consequências.

O momento é delicado e único, o inimigo é invisível, e os meios de autoproteção resumem-se aos cuidados para que o isolamento do EU social, possa proteger os EU biológico, psicológico e espiritual. Compreender o hikikomori numa dimensão solidária pode suavizar o momento, facilitar um mundo seguro, e promover Qualidade de Vida e Saúde.

 

Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA

Comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo

Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública

Bacharel em Direito e Especialista em Direito Ambiental

Bacharel em Psicologia – Abordagem Centrada na Pessoa (ACP)


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