“DES-EXONERAR É PRECISO”
Rodrigo Andolfato
Primeiramente peço perdão a todos pelo neologismo necessário. Sei que a palavra “desexoneração” não existe, contudo, Araçatuba, como sempre, criou a necessidade de tal palavra. Mas para colocar tudo nos devidos eixos, precisamos entender o porque da construção do título como foi escrito.
“Navegar é preciso; viver não é preciso”, escreveu assim o general romano Pompeu, por volta de 70 a.C., mas foi Fernando Pessoa, quem a eternizou. Fernando Pessoa era: filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, correspondente comercial, crítico literário, comentarista político e empresário português. Assim Pessoa foi descrito pela história, mas sabemos que todo empresário é por si só tudo isso numa única pessoa.
Para entender o porquê de nosso empresário português, poeta famoso, escrever célebre frase, devemos deixar notado que somente um verdadeiro empresário, que vive as variáveis inconstantes do mercado, poderia ter escrito tal estrofe com tanta verdade.
“Navegar é preciso; viver não é preciso” traz a dualidade de duas condições humanas correlatas e indivisíveis, que nesta época de pandemia volta à tona com muita força. Devemos escolher entre economia ou saúde? Não existe tal coisa. Assim como na época das grandes navegações, navegar em busca de riquezas, a economia, era preciso, no sentido de necessidade. Aliás era mais preciso do que viver, no sentido de imprevisibilidade, uma vez que viver enseja em riscos.
Se o empresário, e poeta, Fernando Pessoa estivesse vivo hoje em dia, com toda certeza estaria rindo daqueles que questionaram a divisibilidade da vida, no sentido de sobrevivência e economia. É óbvio, portanto, que não existe tal coisa que possa mensurar a correção de se sair para ganhar o sustento ou deixar toda população de quarentena morrendo na pobreza! Só podemos ter certeza de que cada individuo deveria ter por si só o direito de escolha entre navegar ou não.
Por todo o exposto é que o título traz a condição da “Necessidade” incutida nele. Mas, e quanto ao “Des-exonerar”? Vivemos tempos de tirania, como na idade média. Quando a caça às bruxas se dava pelo estado contra seus concidadãos que não concordavam com seus arroubos.
A atual gestão de nossa cidade caçou todos aqueles funcionários concursados que não diziam “amém” para seus arroubos de totalitarismo. Muitos foram os casos de funcionários competentes e inteligentes que foram submetidos a inquisição injusta, e foram condenados à fogueira da vergonha, resultado de sua exoneração do funcionalismo público. Conheci pessoas que caíram em profunda depressão. Ato hediondo desta administração. Por essa razão, com a certeza de que este prefeito será deposto sob a guilhotina das urnas, é que exijo como cidadão de bem, que todos os tribunais de avaliação disciplinar sejam revogados e sejam trazidos de volta a vida, àqueles que as tiveram ceifadas pelo reizinho mandão da vez, Dilador Borges.
Pois sim, desexonerar é preciso, tal qual navegar, viver e abrir o comércio. Essa semana, onde um arroubo de coragem dos empresários do calçadão de nossa cidade, foi elevado a ato revolucionário, de apelo popular, trouxe-nos por breve momento a esperança de volta. Cremos por um instante que empresários de bem teriam a coragem de sair em navegação. Sabíamos que suas cabeças estariam a prêmio pelo arquiduque de Araçatuba. Sabíamos que a cavalaria militar do principado de São Paulo havia recebido ordens para punir os atrevidos revolucionários.
Mas críamos que eles não desistiriam de sair à luta, pois é melhor morrer de pé lutando, que de joelhos obedecendo. Mas o medo falou mais alto. Os empresários de hoje não entendem o que certa vez um general romano e depois um empresário português disse: “Navegar é preciso; viver não é preciso”.
Por conta disso, pagarão um preço elevado por deixar o medo do imprevisível falar mais alto. As pessoas continuarão a comprar cada vez mais, usando plataforma eletrônica, de grandes companhias. Triste é o fim dos covardes.
Este artigo é dedicado à Silmara Alves Costa, funcionária concursada que foi exonerada injustamente.
Rodrigo Andolfato é empresário da Construção Civil, membro do ilan – Instituto Liberal da Alta Noroeste

