PONTO DE VISTA

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Metaverso para quem?

*José Renato Nalini

A pandemia interrompeu o funcionamento de teatros, cinemas e casas de espetáculo. Acabou-se a aglomeração, a concentração de pessoas em espaços fechados. Mas a cultura não acabou.
Foi por isso que multiplicaram as oportunidades de ouvir música, assistir a lives, manifestações coletivas de cantores, cada qual em seu espaço, conjugando-se em sincronia as vozes de imenso coral. Com partícipes em várias partes da Terra.
Essa foi a experiência “imersiva”, do ano 2020. Imersão no mundo virtual, que alunos e professores conseguiram seguir, na impossibilidade das aulas presenciais.
Acena-se hoje com nova imersão. Embora a vacina esteja disponível e para orgulho nosso, foi desenvolvida em São Paulo, entraves burocráticos e ideológicos impedem que a ela tenham acesso milhões de brasileiros. Daí a continuidade das cautelas, o uso de máscaras, a higienização constante, a abundância de álcool gel e a conclamação a que ninguém se congregue.
Foi o que levou os fautores da cultura a pensarem numa realidade virtual incrementada por dispositivos como óculos já disponíveis, além do uso de realidade aumentada. Pode-se recorrer ao projetor holográfico, ampliador do espaço físico e suscitar a efetiva viabilidade da disseminação da realidade virtual e aumentada, espécies de realidade estendida.
A sofisticação erigiu o termo novo “metaverso”, a sugerir espaço coletivo e compartilhado. É uma tentativa de socializar o universo dos espectadores, para que sejam na realidade partícipes e não seres inertes, que recebem passivamente a mensagem.
Fala-se mesmo em ambiente “figital”, ou seja, misto de espaço físico e digital. Propicia-se a todos os interessados, desenvolver as narrativas pessoais, não só “jogando” os games, mas “gamificando” a sua existência.
Os millenials têm desenvoltura para desvendar essas funcionalidades e para criar tantas outras. Mas será que todos os brasileiros dispõem dessa expertise?
O ensino à distância não atingiu igualmente todo o alunado. Há muita família que não dispõe de acesso à internet. Tantas outras não têm qualquer equipamento disponível.
É muito importante garantir a continuidade nesse incrível avanço das tecnologias, que já mudaram o mundo e o transformarão ainda mais. Porém é fundamental incluir todos, sem exceção, nesse ambiente do metaverso. Sob pena de aprofundarmos a exclusão, a desigualdade e a iníqua situação dos invisíveis, dos despossuídos e dos desalentados. As tecnologias vieram para todos e para melhor o convívio entre os seres humanos. Não para separá-los ainda mais.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.


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