O Desafio da Educação Financeira

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Ponto de vista – Pedro Barsalobre

No início do ano passado a educação financeira foi colocada em prática nas escolas brasileiras como tema transversal na grade curricular, conforme diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Na prática todas as redes de ensino deverão se adequar as novas normas do BNCC que preveem o mínimo a ser ensinado desde a educação infantil até o ensino médio. O ensino será introduzido inicialmente através da disciplina de matemática e poderá servir de objeto de estudo em outras matérias, como geografia e língua portuguesa. O professor terá liberdade para desenvolver temas de diversos componentes desde que estejam alinhados com o conteúdo que estão desenvolvendo em sala de aula.
O decreto presidencial 7.397/2010 instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), que tem como objetivos promover a educação financeira e previdenciária, aumentar a capacidade do cidadão para realizar escolhas conscientes sobre a administração dos seus recursos e contribuir para a eficiência e a solidez dos mercados financeiro, de capitais, de seguros, de previdência e de capitalização.
Movimento esse mais do que necessário, já que em maio desse ano 65% das famílias do país estão com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.
Pesquisa global sobre Educação Financeira mostra que dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros. O índice de alfabetismo financeiro dos brasileiros encontra-se próximo da média mundial. No Brasil, só 35% das pessoas entrevistadas acertaram as respostas das questões relacionadas a pelo menos três dos quatro conceitos analisados. No mundo esse indicador é de 33% e nas economias avançadas chega a 55%. O resultado coloca o Brasil na 67ª posição entre os 143 países analisados.
Já o nível de educação financeira dos brasileiros que têm acesso a serviços bancários é inferior ao da média mundial. Enquanto no mundo 53% das pessoas que usam cartão de crédito ou tomam empréstimos de instituições financeiras são alfabetizadas financeiramente, no Brasil, esse percentual corresponde a somente 40% das pessoas.
Transformar a educação financeira da nova geração é urgente. Só assim teremos famílias menos endividadas e mais planejamento na hora de consumir, poupar e investir.
Além da escola, o exemplo deve vir de casa com os pais estimulando crianças a fazer economias. E sempre conversar de maneira natural sobre os gastos envolvidos na manutenção do lar e como isso será importante para a tranquilidade financeira desse individuo no futuro.
Para construirmos um país melhor e mais desenvolvido devemos contribuir para que as crianças de hoje sejam mais conscientes no futuro com seus gastos e suas economias. Essa educação começa desde cedo, falar sobre dinheiro não deve ser um tabu, mas sim um assunto natural que envolve o cotidiano deles. Muitas crianças veem seus pais sofrer ao longo da vida com dívidas e frustrações, portanto isso deve ser encarado com responsabilidade pelos pais. Se você quer um futuro financeiro melhor para seus filhos comece mostrando a importância de gastar menos do que se recebe, esse é o ponto de partida de todo planejamento financeiro.

Pedro Barsalobre é formado em Marketing e Pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV. Possui certificação ANCORD de Agente Autônomo de Investimentos. Trabalhou por 10 anos em uma Instituição Financeira de grande porte e fundou a Arassá Investimentos em 2018 com mais dois sócios. Hoje é Assessor de Investimentos e Sócio Fundador na Arassá Investimentos, escritório credenciado à XP Investimentos.


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