PONTO DE VISTA

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VOTO E DEBATE E NÃO MEMES E OUTROS CANTOS DA SEREIA

Faltando poucos dias para as eleições municipais, mais uma vez, teremos a oportunidade para exercer um dos mais nobres atos de cidadania: o voto. Referido ato faz com que nossas escolhas políticas sejam responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso nas áreas mais sensíveis das cidades onde moramos e com implicações diretas sobre as nossas vidas. Afinal é nas cidades que a maioria de nós habitamos, trabalhamos, estudamos e temos acesso a saúde. É por isso que o voto não se encerra ao depositá-lo na urna é preciso fiscalizar a atuação dos candidatos eleitos. Porém nem tudo é festa cívica. Indiscutivelmente, essas eleições serão totalmente atípicas por fatores que vão além da pandemia; temos o adiamento das eleições, que passou o primeiro turno para o dia 15 de novembro; há a redução do tempo de campanha que exige de seus coordenadores a necessidade de rearranjo no conteúdo e nas formas para alcançar mentes e corações do eleitor, sem contar a proibição das coligações de partidos nas candidaturas a vereador.
Essa campanha exigirá um eleitor mais informado, com maior capacidade analítica e principalmente com capacidade de filtrar informações vindas de mídias sociais, como Facebook, Youtube, Instagram e WhatsApp, muitas vezes fontes de fake news e de desinformação. O eleitor com essas características estará menos suscetível em cair no canto da sereia, que tem o único objetivo de seduzi-lo com promessas vãs e inexequíveis. É sabido que os futuros prefeitos terão dificuldades fiscais ao assumir a gestão de suas cidades. A pandemia provocou aumento de gastos com saúde e assistência social, isto em um período em que todos os municípios já se encontravam com uma queda acentuada de receitas em razão da combalida economia.
A título de ilustração, de acordo com o Indicador de Gestão Fiscal dos Municípios, 75% dos municípios já tinham uma situação fiscal crítica. Quase 35% deles não se sustentavam nem tinha recursos inclusive para custear a Câmara de Vereadores e a estrutura administrava da cidade, ficando cristalino que qualquer promessa fora dessa realidade é mero estelionato eleitoral. Atipicidades elencadas á parte, voltando ao exercício da cidadania, também temos o debate, que é fundamental em qualquer pleito eleitoral, tanto é que ele está presente desde a Grécia Clássica até a atualidade em países que adotaram o regime democrático. Segundo Fernando Abrucio, Doutor em Ciência Política pela USP e professor da FGV, essas eleições terão vários elementos conjunturais que a influenciarão. Destaco um desses elementos que não é nada alvissareiro à democracia que é a ausência do debate. Diz Fernando Abrucio: “nunca houve tão pouco debate numa eleição brasileira desde o fim da ditadura militar.
EvandroNa disputa municipal de 2020, os políticos falam menos ao povo, discutem menos entre si e disputam com dancinhas no TikTok a atenção de gente que está mais preocupada com memes”. Mesmo com todo o aparato tecnológico existente, nada substituirá o bom debate. É no debate que nós eleitores conheceremos melhor os candidatos. Não há memes, dancinhas, charges e outros cantos da sereia que substituirá democraticamente ideias e propostas. Mais uma vez caro leitor/eleitor, analise e se informe sobre os candidatos. O ideal seria que o voto fosse uma escolha racional, infelizmente não é. Portanto, só me resta desejar a todos um excelente voto.

Evandro Everson dos Santos é policial militar aposentado e economista


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