Sonhos
Fábio Ricardo Ambrosio
Sobre o leito de aconchego
O corpo descansa em sossego
Deixando de lado a consciência
A alma é livre de qualquer influência
Abraçado pelo vazio atemporal
Onde o desfecho é quase sobrenatural
Onde não há mais norte nem sul
E o sol fervente pode até ser azul
Nosso ser é invadido por possibilidades
Como dragões que voam sobre as cidades
Onde o medo e o prazer outrora esquecido
Agora é parte de um místico cenário reconstruído
Podemos ir do céu ao inferno
Do passageiro ao eterno
Da desvergonha à decência
Da culpabilidade à inocência
O sonho é um vôo que se evapora
Como neblina ao romper da aurora
Alimentando nossa mente sonhadora
Sonhos nos aconselham de forma sedutora
A noite é uma jornada encantada
Mulher solteira se torna casada
Deficiente físico agora é atleta
Advogada se torna arquiteta
O rico empresário pede esmola
E o pobre mendigo é quem o controla
Os vivos são tragados pela morte
E os mortos voltam à vida num golpe de sorte
O sonho é o celeiro do pensamento
Podendo ser palco de alegria ou tormento
Sem barreiras, sem pudor
Sem fronteiras de sentimentos…

