POLICIAIS MILITARES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

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EVANDRO EVERSON DOS SANTOS

Como um instrumento de comunicação, os símbolos são de suma importância em uma sociedade. Alguns se materializam expressivamente através de uma instituição, exemplo notório é o monopólio da força ou da violência. Monopólio este que tem o objetivo de organizar a vida social de uma comunidade e também o poder de limitar a liberdade de alguns cidadãos, quando necessário for. Esta força legítima é atribuição do Estado, exercida pela polícia, que sob a ótica injusta de uma parcela da sociedade a consideram detestável e antipática. É uma tarefa inglória. Principalmente, em tempos de exceção, como este que vivemos; uma das piores crises sanitária mundial, onde decretos abusivos são editados sem a devida análise da peculiaridade de cada região, restringindo a liberdade, a vida social e econômica (lockdows intermitentes), de cidadãos, resultando em desemprego em massa, pobreza e fome.
Posto isto, o uso do monopólio da força tem sido recorrente para que a sociedade cumpra distanciamento social e fechamentos de comércios indiscriminadamente. Tal situação, em que o Brasil é considerado o epicentro da Covid-19, alguns profissionais da linha de frente no combate da Pandemia, até então no anonimato, resgataram o prestígio merecido. Exauridos, sem leitos de UTI suficientes para atendimento de pacientes, falta de medicamentos e de respiradores, profissionais de saúde é um exemplo a ser destacado. Entretanto, nem todos profissionais que também atuam na linha de frente da Pandemia saíram do anonimato; ainda continuam invisíveis.
Uma categoria que merece atenção, dentre várias, destaco os agentes de segurança pública, em especial, Policiais Militares que tem a responsabilidade da manutenção e preservação da ordem pública e do policiamento ostensivo, que por si só, são tarefas que os submetem a alto nível de estresse. Dia e noite, de domingo á domingo, atendem ocorrências que vão de desinteligência entre casais, partos, roubos, sequestros á confronto com infratores da lei, que por vezes acaba em evento morte, lidam com o lado mais perverso do ser humano. Fazem parte de uma Instituição que mais morre no mundo, para a qual o número de suicídios supera inclusive o de mortes em serviço. São profissionais que colocam sua vida em risco, mal remunerados (sem reposição salarial há anos) e ainda tem o sentimento que parte da sociedade os rejeitam. E, com o recrudescimento da Pandemia, mais uma missão foi ordenada a esses Policiais Militares.
Acompanhar e dar proteção a agentes municipais na fiscalização da sociedade quanto ao cumprimento das medidas de restrições. Missão esta que instrumentalizada politicamente, projeta toda a ira de uma sociedade com violência verbal, física e desobediência contra os esses agentes de segurança pública. Humanos como nós, Policiais Militares, constantemente julgados pela sociedade, sobrecarregados fisicamente, mentalmente e emocionalmente, estão em situação de um “barril de pólvora”, com várias faíscas em seu entorno, prestes a explodir. Por fim, fica uma reflexão: Cada sociedade tem a polícia que faz por merecer, portanto, valorizemos esses Profissionais.

Evandro Everson dos Santos
Policial Militar aposentado. Economista pela FAC/FEA
Pós graduando em Gestão Pública

 


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