Polícia Civil cumpre mandados contra secretário de Gabinete e vereador de Birigui

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VÍTOR MORETTI – BIRIGUI

A Polícia Civil de Araçatuba deu andamento a mais uma fase da operação coordenada pela Delegacia Seccional em uma investigação que apura desvios de verbas públicas e fraudes em licitações de organizações sociais de saúde de Birigui. Nessa quinta-feira (6), as equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em diversos endereços, entre eles na Prefeitura e na Câmara Municipal. Não houve nenhuma prisão.

Logo nas primeiras horas da manhã, os policiais se dividiram em diversos endereços. A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL apurou que o vereador Valdemir Frederico (PTB), popularmente conhecido como Vadão da Farmácia, foi um dos principais alvos nessa nova fase. A polícia teria cumprido mandados em sua residência e também em seu gabinete no Legislativo. Os policiais deixaram a Câmara por volta das 7h20, levando documentos e computadores.

Outro alvo da nova fase de cumprimento de mandados foi o atual secretário de Gabinete da Prefeitura, Gilmar Trecco Cavaca. A polícia também se dirigiu até a sede do Poder Executivo e apreendeu materiais de interesse para as investigações. Cavaca era secretário de Saúde do município.

Já na antiga sede do IDS (Instituto de Desenvolvimento Social), localizada na rua Tupi, os policiais tiveram que fazer uma força-tarefa para levar todos os objetos apreendidos no interior do prédio. Foram necessários um caminhão e uma van para realizar o carregamento de documentos, computadores e impressoras. Tudo foi levado para a Central de Polícia Judiciária de Araçatuba, onde as ocorrências foram registradas.

SUSPEITA DE CORRUPÇÃO
As investigações correm em segredo de Justiça, mas a reportagem teve acesso a uma parte do inquérito da Polícia Civil. A denúncia que motivou a abertura do processo investigatório foi em relação ao pagamento de propinas e tráfico de influência para que projetos fossem aprovados na Câmara Municipal. No material, a polícia analisa a documentação apreendida na posse de um investigado que exerceria a função de gerência relacionada à administração de hospitais e prontos-socorros da saúde pública de alguns entes federativos. O suspeito também teria vínculos com as organizações sociais de saúde IDS, com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui e a Associação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu.

O Instituto de Desenvolvimento Social, por exemplo, administrou por força de contrato de gestão o Pronto-Socorro Municipal de Birigui por aproximadamente dois anos, sendo substituído no início do ano de 2019 pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui. A polícia apura possíveis irregularidades e a facilitação no processo licitatório dessas duas organizações.

Ainda na análise da documentação apreendida com o suspeito, os investigadores encontraram várias anotações manuscritas, tanto nas agendas apreendidas, como em papeis avulsos, relacionadas aos contratos de gestão das referidas OSS. Algumas delas trazem valores e nomes de pessoas, que segundo a polícia, são possivelmente os destinatários do dinheiro. São valores de quantias consideráveis, que geraram suspeitas de desvio de dinheiro da saúde pública, ainda segundo o inquérito.

Em um desses manuscritos, aparece o nome de Vadão. No caso, ele receberia R$ 5 mil todo o dia 30. Em outro documento, os nomes de Tico e Gilmar aparecem como os destinatários de recebimentos de R$ 10 mil reais cada um. Tico é o apelido do presidente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui, Cláudio Castelão Lopes. Já Gilmar seria o atual secretário de Gabinete da prefeitura, alvo de mandados de buscas, ontem.

O QUE DIZEM
Por meio de uma nota, a Prefeitura de Birigui informou que o mandado de busca e apreensão era para a casa do secretário e sua sala de trabalho, não sendo direcionado ao prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) e ao paço municipal. Reforçou, ainda, que quando o atual chefe do Executivo assumiu o posto, em janeiro de 2017, solicitou à equipe de governo total transparência nos trabalhos realizados e colaboração aos órgãos de fiscalização. Por fim, a Prefeitura informou que está à disposição da Polícia Civil para auxiliar nas investigações.

A reportagem também entrou em contato por telefone com o secretário Gilmar Trecco Cavaca. Ele não quis se manifestar a respeito do caso, já que o inquérito está sob sigilo. O vereador Valdemir Frederico não atendeu às ligações.

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui informou que colabora com as investigações e aguardará a apuração dos fatos para maiores esclarecimentos.

A reportagem não conseguiu contato com o Instituto de Desenvolvimento Social e com Cláudio Castelão Lopes.

 


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